advertisement O Grupo African Risk Capacity (ARC) — agência especializada da União Africana (UA) criada para ajudar os governos africanos a aprimorar as suas capacidades de planeamento, preparação e resposta a eventos climáticos extremos e desastres naturais — anunciou ter efectuado um pagamento de seguro paramétrico combinado de 5,4 milhões de dólares ao Governo de Moçambique e ao Programa Alimentar Mundial (PAM). De acordo com a publicação do Reinsurance News, a verba foi disponibilizada em respostas aos recentes desastres climáticos, à seca de 2024-25 e ao ciclone tropical Chido. “O Executivo moçambicano recebeu 1,8 milhão de dólares; o PMA contratou duas apólices de seguro em nome do País — uma para a seca no valor de 400 mil dólares e outra para apoiar os afectados pelo ciclone tropical numa quantia de 3,1 milhões de dólares.” David Maslo, CEO interino da ARC, recordou que devido à sua localização geográfica, Moçambique é altamente propenso a ciclones sazonais e eventos de seca cíclica que agravam a insegurança alimentar e destroem infra-estruturas essenciais, deslocando muitas pessoas, e frisou ainda que o pagamento do seguro apoiará intervenções cruciais que salvam vidas, especialmente a distribuição de alimentos em larga escala, para comunidades impactadas por choques relacionados ao clima. “Este desembolso destaca a importância do seguro paramétrico para promover a resiliência e permitir respostas rápidas e pré-planeadas à crescente frequência e intensidade desses eventos. Como membro classe A da ARC, Moçambique não só beneficia de um seguro que mantém a cobertura acessível, como também tem a garantia de que uma instituição mandatada pela UA, que continuará a apoiá-lo contra choques climáticos”, descreveu. Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre anualmente entre Outubro e Abril. Só entre Dezembro e Março últimos, na última época ciclónica, Moçambique foi atingido por três ciclones, incluindo o Chido, o primeiro e mais grave, no final de 2024. O número de ciclones que atingem o País “tem vindo a aumentar na última década”, bem como a intensidade dos ventos, alerta-se no relatório do Estado do Clima em Moçambique 2024, do Instituto de Meteorologia de Moçambique, divulgado em Março. Os eventos extremos provocaram pelo menos 1016 mortos no País entre 2019 e 2023, afectando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.advertisement
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