advertisemen tO presidente do Banco Central da África do Sul (SARB), Lesetja Kganyago, alertou na quarta-feira (15) que o aumento da dívida global representa um risco para a equilíbrio monetário. O Conselho de Estabilidade Financeira, que responde pelo Grupo dos 20 (G20), elevou as preocupações com a dívida a uma questão de primeira ordem, de acordo com Kganyago, que falava à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM) em Washington. De acordo com as projecções do FMI, a dívida pública mundial deverá ultrapassar 100% da produção global até 2029, com a organização a alertar que, num cenário “adverso, mas plausível”, a dívida poderá atingir 123% do Produto Interno Bruto (PIB) até ao final da década actual — níveis nunca vistos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.“A questão da dívida não é um problema dos mercados emergentes”, afirmou Kganyago. Embora os países africanos enfrentem desafios de liquidez e fiscais relacionados com o empréstimo, “a dívida é agora uma questão global e também um problema nas economias desenvolvidas”, acrescentou. Espera-se que as preocupações com a dívida sejam o foco da reunião do G20 dos ministros das Finanças e banqueiros centrais, que termina nesta quinta-feira. Uma declaração sobre a dívida global deverá ser emitida, enquanto a África do Sul se prepara para passar a presidência aos Estados Unidos da América (EUA). Kganyago sublinhou que a África do Sul se concentrou na continuidade durante a sua presidência, incluindo o aumento dos pagamentos transfronteiriços no âmbito do G20. Grupos da sociedade civil criticaram o país pelo lento progresso em matéria de sustentabilidade da dívida durante a sua liderança. Numa carta assinada por 165 organizações, incluindo a Eurodad e o Malala Fund. Os activistas apelaram a um maior alívio da dívida e a reformas nos processos de reestruturação global. O director fiscal do FMI, Vitor Gaspar, alertou para um potencial ciclo vicioso fiscal-financeiro desencadeado por empréstimos sustentados e taxas de juro elevadas, instando os Governos a reconstruir reservas. Kganyago salientou que estão em curso discussões sobre como a próxima presidência dos EUA dará continuidade à agenda africana em matéria de dívida e custos de financiamento: “Amanhã, no final da reunião, saberemos exactamente o que eles vão levar, porque ao aceitarem a presidência, eles vão declarar o que pretendem considerar da liderança anterior e o que vão trazer para a sua governação”, afirmou. Destacando as conquistas sob a liderança da África do Sul, o presidente do banco central apontou para o aumento dos pagamentos transfronteiriços no âmbito do G20. “Provou ser uma proposta muito boa, porque foi algo que todos aprovaram, incluindo os EUA, que são um participante muito importante nesse comité de pagamentos transfronteiriços”, concluiu.
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