Tensões comerciais voltam a atirar Ásia ao tapete. Europa e Wall Street apontam para quedas As relações comerciais entre China e EUA continuam a dominar o mercado acionista. A nova investida de Pequim sobre a administração Trump, que ataca Washington indiretamente através de cinco subsidiárias da sul-coreana Hanwha Ocean com grandes ligações aos EUA, está a agitar os mercados e pintou as bolsas asiáticas de vermelho, numa altura em que os investidores receiam que as tensões entre as duas superpotências possam voltar a escalar. Europa e Wall Street apontam para o mesmo caminho. Esta madrugada, o ministro chinês do Comércio anunciou sanções contra a fabricante de navios Hanwha Ocean. Na visão das autoridades chinesas, a empresa “auxiliou e apoiou as atividades investigativas relevantes do governo dos EUA, comprometendo assim a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento da China”, proibindo ainda qualquer transação ou cooperação com a mesma. Ainda em agosto, a Hanwha comprometeu-se a investir mais 5 mil milhões de dólares num estaleiro da Filadélfia, no estado da Pensilvânia, que comprou por 100 milhões em 2024. A decisão das autoridades chinesas fez com que as ações da Hanwha afundassem em bolsa, o que, por sua vez, pressionou ainda o principal índice coreano. A fabricante de navios caiu 5,76% para 103.100 wons, destacando-se pela negativa entre as várias cotadas que compõe o Kospi, que terminou a sessão com perdas de 0,62%. Além disso, a China advertiu esta terça-feira os Estados Unidos de que está disposta a “lutar até ao fim” se Washington insistir na imposição de novas tarifas e restrições comerciais, embora tenha reiterado a abertura ao diálogo. “Se quiserem lutar, lutaremos até ao fim; se quiserem falar, a porta está aberta”, declarou o ministério do Comércio chinês, em comunicado, em resposta ao anúncio da Casa Branca de aplicação de tarifas adicionais de 100% sobre produtos chineses e outras medidas restritivas. “O sentimento de risco continua bastante frágil, com o ressurgimento de fissuras nos mercados de ações e das criptomoedas”, começa por explicar Hebe Chen, analista de mercado da Vantage Markets, à Bloomberg. “A incessante sequência de recordes nos metais preciosos envia uma mensagem clara: os investidores estão a preparar-se para a próxima tempestade”, avisa o analista. Ainda do lado das ações, o MSCI Asia Pacific, índice que agrupa uma série de mercados asiáticos, atingiu mínimos de mais de duas semanas com o ressurgimento das tensões comerciais entre China e EUA. As quedas foram especialmente acentuadas no Japão, com o Topix a ceder 2,2%, numa altura em que a indecisão política no país, com um dos partidos emblemáticos da coligação que sustenta o Governo do Partido Liberal Democrata, tem deixado os investidores apreensivos. Já pela China, tanto o Hang Seng, de Hong Kong, como o Shanghai Composite terminaram no vermelho, com perdas respetivas de 1,6% e 0,5%. O primeiro índice já tinha encerrado a sessão anterior com quedas expressivas, num dia em que os mercados asiáticos estiveram a reagir às ameaças de Donald Trump, Presidente dos EUA, de impor tarifas adicionais de 100% à segunda maior economia do mundo, depois de Pequim ter restringido a exportação de terras raras.

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