O Governo decidiu manter o preço de referência ao produtor de castanha de caju em 45 meticais para a presente campanha de comercialização 2025-26. A meta é garantir a sustentabilidade do sector, visto tratar-se de uma das principais culturas de rendimento do País, em forte crescimento.
“Vamos manter o preço de referência em 45 meticais. E vamos acompanhar a evolução da condição do mercado. Este comité poderá voltar a reunir-se face às variações do mercado, para discutir a fixação de um outro preço de referência caso necessário”, explicou o secretário de Estado do Mar e Pescas, Momade Juízo, defendendo um incentivo e remuneração justa a quem trabalha na cadeia de valor.
Intervindo nesta sexta-feira, 10 de Outubro, em Maputo, durante a primeira sessão do Comité de Amêndoas, que se realiza anualmente, visando definir o preço de referência de compra da castanha de caju ao produtor em cada campanha de comercialização, o governante apontou desafios relacionados com questões financeiras que levaram ao encerramento de algumas unidades de processamento nos últimos anos.
“A indústria nacional de processamento tem vindo a enfrentar desafios nos últimos anos, devido à conjuntura macroeconómica, factores que contribuíram para o aumento dos custos de produção e reduziram a capacidade financeira de muitas empresas, levando ao encerramento de algumas unidades por falta de capital e aquisição de matéria-prima”, frisou.
Momade Juízo anunciou que o País está a preparar a assinatura de um memorando de entendimento com o Governo da China, visando abrir novo mercado para exportação de castanha de caju e macadâmia para aquele país asiático. “Este acordo terá benefícios directos para os nossos produtores, processadores e exportadores ao alargar as oportunidades de comercialização deste produto”, assegurou.
As exportações de castanha de caju por Moçambique continuam a crescer, tendo atingido 38,7 milhões de dólares (2,4 mil milhões de meticais) no primeiro trimestre, liderando as vendas externas entre os chamados “produtos tradicionais”, segundo dados oficiais compilados pelo Banco de Moçambique (BdM).
De acordo com um relatório do banco, este desempenho contrasta com os 34,3 milhões de dólares (2,2 mil milhões de meticais) exportados no mesmo período de 2024. A castanha de caju ultrapassou o tabaco, os legumes, as bananas e os rubis como o produto tradicional mais exportado.
O Governo estima que a produção de castanha de caju, uma das principais culturas de rendimento nacional, aumente 23% este ano, para 218,9 mil toneladas, enquanto a área de cultivo deverá crescer 26%, para 64 mil hectares, contra 50,6 mil hectares na época anterior.
Durante a época agrícola actual, está prevista a produção, distribuição e plantação de 6,7 milhões de mudas de cajueiros, num investimento de 1,4 milhão de dólares (90 milhões de meticais), bem como o tratamento químico de 9,3 milhões de cajueiros contra pragas e doenças, para dinamizar a actividade.
O rendimento com a exportação de castanha de caju moçambicana já tinha crescido 71% em 2024, para um recorde de 98,2 milhões de dólares (6,2 mil milhões de meticais), segundo o BdM. Em 2023, as exportações somaram 57,3 milhões de dólares (3,6 mil milhões de meticais).a d v e r t i s e m e n t
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