advertisemen tMoçambique vive uma “nova forma de colonização”, conduzida por grandes empresas internacionais e por “oligarcas” nacionais ligados ao poder político. O alerta foi feito pelo jornalista e académico Joseph Hanlon, que responsabiliza estas forças pela crescente pobreza e desigualdade no País. Durante um podcast promovido pelo Centro de Integridade Pública (CIP), Joseph Hanlon afirmou que “os colonizadores agora são as grandes empresas internacionais, das minas, das outras coisas, como gás”. Segundo o investigador, essas companhias estrangeiras exploram os recursos naturais moçambicanos em aliança com elites políticas locais. Joseph Hanlon explicou que “os administradores do sistema são os oligarcas moçambicanos”, figuras com fortes ligações ao poder que facilitam os negócios estrangeiros e controlam a economia nacional. Para o investigador, esta “nova colonização económica” é o resultado directo da cooperação entre interesses externos e internos.advertisement De acordo com o académico, essa dinâmica envolve uma aliança entre as elites políticas locais e instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, agravada pela chamada “maldição dos recursos”, especialmente o gás natural. “Em Moçambique são uma operação de cooperação entre os oligarcas, o FMI, o Banco Mundial e as empresas estrangeiras”, afirmou Joseph Hanlon. O investigador defendeu ainda que é necessária uma “nova independência” para libertar o País dessa dependência económica e política. Joseph Hanlon destacou também que Moçambique se tornou um dos principais corredores de heroína no sul de África, um fenómeno que, no seu entender, está profundamente ligado às redes de poder e corrupção instaladas no Estado. Essas estruturas, afirmou, facilitam o tráfico e o branqueamento de capitais. Nascido nos Estados Unidos da América em 1941, Joseph Hanlon é jornalista e professor sénior de Política e Prática de Desenvolvimento na Open University, no Reino Unido. Residente em Moçambique por longos anos, é considerado um dos mais reconhecidos estudiosos estrangeiros sobre a história e a política do País. Com várias obras dedicadas à economia e aos conflitos moçambicanos, Joseph Hanlon explicou que o seu mais recente livro, Moçambique Recolonizado através da Corrupção, analisa a relação entre os planos económicos do FMI e do Banco Mundial e os grandes escândalos de corrupção e assassinatos políticos no País, incluindo os do jornalista Carlos Cardoso e do economista Siba-Siba Macuácua. No final, o investigador defendeu a necessidade de um debate interno e inclusivo sobre o futuro de Moçambique. “Moçambique precisa de organizar uma discussão entre si”, concluiu Joseph Hanlon. Fonte: Lusaa dvertisement
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