
Ásia mergulha no vermelho pressionada pelas tecnológicas e crise política no Japão
Os ganhos das ações asiáticas foram interrompidos por novas preocupações de que as apostas das empresas de tecnologia em inteligência artificial (IA) tenham ido longe demais, sobretudo na negociação na China e no Japão. Os investidores temem ainda uma queda da coligação de governação do Japão esta sexta-feira.
“Algumas áreas do mercado parecem sobreaquecidas”, disse Keith Lerner, da Truist Advisory Services, à Bloomberg. “O longo período sem uma retração significativa deixa o mercado mais sensível a surpresas negativas”, acrescentou.
As ações de chips na Ásia, especialmente no Japão, subiram no início deste mês, depois de empresas como a Hitachi e a Fujitsu terem formado alianças com as norte-americanas OpenAI e a Nvidia. Já esta sexta-feira, a Semiconductor Manufacturing International caiu 7,25% depois de algumas corretoras terem reduzido a margem de financiamento das ações para zero, justificando a decisão com avaliações elevadas. Um indicador das ações de tecnologia chinesas em Hong Kong estava a caminho da sua pior semana desde o início de agosto.
No Japão, a imprensa do país avançou que o partido de coligação minoritário do Partido Liberal Democrata (PLD) de Sanae Takaichi, o Komeito, indicou que está a planear retirar-se da aliança de governo. A coligação manteve a estabilidade política dos governos do PLD durante a maior parte do último quarto de século.
No Japão, o Topix derrapou 1,82% para 3.198,64 pontos, enquanto o Nikkei 225 perdeu 1% para 48.088,80 pontos. Na China, o Shangai Composite desceu 1,12% para 3.889,92 pontos e o Hang Seng, em Hong Kong, cedeu 1,77% para 26.279,59 pontos. Em contraciclo, o sul-coreano Kospi ganhou 1,73% para 3.610,60 pontos após voltar de uma semana de feriado, com a Samsung a ganhar mais de 6%.
“A tecnologia chinesa está a iniciar o quarto trimestre com alguma tomada de mais-valias por parte dos investidores, após um terceiro trimestre brilhante, o que está a pesar no índice”, afirmou Marvin Chen, estratega da Bloomberg Intelligence.
As ações das empresas chinesas de baterias caíram, uma vez que o país irá impor controlos à exportação de algumas baterias de lítio, materiais críticos e tecnologia e equipamentos relacionados, a partir de 8 de novembro.
Pela Europa, os futuros do Euro Stoxx 50 estavam quase inalterados. Os investidores estarão atentos à evolução da política francesa, já que o presidente Emmanuel Macron afirmou que nomearia um novo primeiro-ministro até esta sexta-feira à noite – uma decisão que vai definir o resto do seu mandato e vai colocar em jogo a estabilidade do país e da sua economia, a segunda maior da Zona Euro.
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