advertisement O Ministério da Saúde anunciou que pretende implementar reformas “urgentes e arrojadas” no sistema de saúde, face aos impactos causados pela redução do financiamento externo. De acordo com o Governo, em breve será criado um grupo que vai trabalhar na revisão do pacote de cuidados essenciais, sem abdicar da manutenção dos serviços mínimos, exigidos para a população. “A criação desta task force vai ajudar a identificar e implementar reformas urgentes e arrojadas que sejam estruturantes e assegurem a continuidade dos serviços essenciais e de qualidade aos moçambicanos”, afirmou o secretário permanente do Ministério da Saúde, Ivan Manhiça, citado numa publicação da Lusa. Segundo o responsável, será elaborado o diagnóstico da situação e o impacto da redução do apoio externo a curto, médio e longo prazo, para além de se repensar num novo modelo financeiro ajustado e com níveis sustentáveis, recordando que o corte feito pela Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) representou um choque significativo. Em Agosto, o Ministério das Finanças assumiu que a suspensão dos apoios obrigou o Executivo a redireccionar recursos internos. “Neste contexto, temos adoptado medidas que visam garantir a sustentabilidade dos serviços essenciais e estimular a economia nacional.” “Estas medidas incluem a reorientação da despesa pública, mobilização de recursos internos, apoio à produção nacional, reforço da protecção social e melhoria da eficiência na gestão orçamental, mitigando assim os impactos negativos da interrupção da ajuda externa, promovendo a resiliência económica e social do País”, esclareceu. Por sua vez, a agência de notação Fitch reconhece que a suspensão dos apoios da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional a Moçambique contribuiu para agravar a escassez de moeda estrangeira no País, dado que os desembolsos daquela agência representavam cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB). De acordo com a Fitch, na sua mais recente avaliação a Moçambique, a escassez de divisas em 2025 intensificou-se parcialmente devido à queda dos financiamentos externos ao Governo, incluindo a suspensão da USAID, que em 2024 desembolsou 37 mil milhões de meticais (586 milhões de dólares) para projectos prioritários nas áreas da saúde e educação. O encerramento definitivo da USAID, anunciado a 1 de Julho deste ano pelo novo Governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, resultou na perda de cerca de 2500 postos de trabalho em Moçambique, conforme dados do Governo, um impacto que a ministra do Trabalho, Género e Ação Social, Ivete Alane, reconheceu como um “problema” para a economia, apesar de não existirem estimativas oficiais detalhadas.advertisement
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