
Depois de França ter mergulhado numa nova crise política, o Presidente gaulês, Emmanuel Macron, decidiu dar 48 horas ao primeiro-ministro demissionário Sébastien Lecornu, para negociar com os diferentes partidos políticos franceses, a fim de impedir que o momento difícil que a segunda maior economia da Zona Euro atravessa se agrave ainda mais. Com efeito, Macron pediu a Lecornu “a responsabilidade de conduzir as negociações finais até quarta-feira à noite, a fim de definir uma plataforma de ação e estabilidade para o país”, de acordo com um comunicado do gabinete do Presidente francês. A decisão de dar ao antigo ministro da Defesa mais uma oportunidade de encontrar uma saída para o impasse político francês dá a Macron mais tempo para decidir os seus próximos passos, que poderão passar pela realização de novas eleições legislativas, solução que os partidos da oposição estão a exigir. Nesta linha, Lecornu escreveu numa publicação nas redes sociais que, “a pedido do Presidente da República, (concordou) em realizar discussões finais com as forças políticas em prol da estabilidade do país”. E acrescentou: “na quarta-feira à noite (8 de outubro), informarei o Chefe de Estado se isso é possível ou não, para que ele possa tirar todas as conclusões necessárias”. Lecornu demitiu-se inesperadamente nesta segunda-feira, depois de apenas 27 dias no cargo, tendo culpado a intransigência dos grupos políticos representados no parlamento do país pelo fracasso em chegar a um acordo sobre a composição do seu novo Governo, que foi revelado no domingo à noite. O impasse frustrou as tentativas de controlar o maior défice orçamental da Zona Euro, alimentando a venda de ativos franceses e os custos de financiamento do país em relação aos seus pares. Os sucessivos Executivos do país têm lutado para se manter no poder desde que a aposta mal-sucedida de Macron nas eleições antecipadas do ano passado prejudicou ainda mais o seu próprio grupo centrista, além de ter dividido de forma profunda a Assembleia Nacional em blocos que parecem não se conseguir entender. Os legisladores da Câmara dos Deputados forçaram a demissão dos dois primeiros-ministros anteriores — Michel Barnier e François Bayrou — por causa dos seus planos orçamentais.
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