A Petromoc Marine, empresa moçambicana especializada no abastecimento de combustíveis no alto mar, coloca as suas expectativas no eventual regresso da TotalEnergies à Área 1 da bacia do Rovuma — via projecto Mozambique LNG estimado em 20 mil milhões de dólares — como motor de expansão para as suas operações logísticas. Segundo informou a Lusa, de acordo com o director‑geral da Petromoc Marine, Nuno Grade, o fornecimento marítimo de combustíveis desempenha um papel estratégico em todas as fases dos empreendimentos de gás natural em curso em Moçambique, desde a fase exploratória até à produção. A empresa já actua no âmbito de projectos como o Coral Sul FLNG da Eni, sendo fornecedora de gasóleo marítimo para navios de perfuração, plataformas, embarcações de apoio logístico (PSV) e geradores nas operações de exportação. Fundada em 2016 como joint venture entre a trading Augusta Energy e a Petromoc SA, a Petromoc Marine envolveu‑se na construção da base logística de Afungi, em Palma, antes da suspensão das actividades da TotalEnergies em 2021, medida motivada pela instabilidade na província de Cabo Delgado. Agora, com expectativas de retoma, a empresa antevê que cada avanço nos projectos de gás se traduza numa maior procura de serviços de abastecimento marítimo — hipoteticamente chegando a operar até seis navios dedicados no País. Entretanto, a retoma da TotalEnergies suscita apreensão entre empresários e comunidades de Palma, que receiam uma estratégia de “confinement” (abastecimento marítimo exclusivo e restrições ao transporte terrestre) que poderia excluir a vila dos circuitos de fornecimento de bens e serviços. Uma fonte empresarial local advertiu que, caso esse modelo se imponha, a Petromoc Marine poderá reduzir operações e encerrar cinco empresas locais, deixando trabalhadores sem emprego. A Petromoc Marine apela agora a que a TotalEnergies reveja a sua estratégia, integrando fornecedores locais em Palma, de modo a assegurar não apenas a viabilidade técnica do projecto de gás, mas também a aceitação social que favorecerá a estabilidade a longo prazo. A retoma do projecto Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies na Área 1 da bacia do Rovuma, ganhou novo impulso com declarações recentes do director‑executivo da empresa, Patrick Pouyanné, que garantiu estar “pronto a recomeçar”. A mobilização no terreno já terá iniciado, apoiada por um financiamento de 4,7 mil milhões de dólares do Exim Bank dos Estados Unidos, e estão a decorrer negociações com o Governo moçambicano para o levantamento da cláusula de “força maior”, imposta em 2021 devido à insegurança em Cabo Delgado. Apesar do optimismo manifestado por operadores como a Petromoc Marine, analistas alertam para desafios persistentes, incluindo riscos de segurança, instabilidade regulatória e a necessidade de garantir inclusão local no modelo operacional da petrolífera francesa.

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