“Um estudo recente de investigadores do MIT trouxe à tona uma questão que começa a preocupar educadores, empresas e utilizadores de tecnologia: será que o ChatGPT nos ajuda a pensar… ou está a deixar os nossos cérebros mais preguiçosos? A investigação, intitulada ‘Your Brain on ChatGPT: Accumulation of Cognitive Debt when Using an AI Assistant for Essay Writing Task’, analisou a atividade cerebral de pessoas a escrever ensaios em três condições: sem apoio externo, com recurso a motores de busca e com o auxílio direto do ChatGPT. De acordo com o estudo, quanto mais recorremos ao chatGPT, menos envolvimento cerebral registamos, temos mais dificuldade em recordar o que escrevemos e mostramos menos sinais de pensamento crítico e criatividade. Foi revelado ainda que com o ChatGPT, somos 60% mais rápidos a concluir tarefas, mas exercemos 30% menos esforço mental. Para agravar, 83% dos participantes não conseguiram recordar corretamente trechos que eles próprios tinham acabado de escrever com ajuda da IA. Os autores chamam a isto dívida cognitiva: no curto prazo a máquina facilita, mas no longo prazo enfraquece memória, criatividade e pensamento crítico. Ganhamos tempo, mas perdemos a oportunidade de aprender e de criar algo genuinamente nosso. E, tal como os músculos, o cérebro enfraquece sem treino. Ainda assim, não vejo estes dados como uma condenação da inteligência artificial. A boa notícia é que o estudo também mostrou uma solução. O grupo com melhor desempenho foi o que começou a escrever sozinho e só depois usou o ChatGPT como apoio. Isto indica que a IA pode ser uma parceira valiosa — desde que entre na equação depois de termos feito o trabalho de pensar, estruturar e criar. O ChatGPT é, sem dúvida, uma das ferramentas mais poderosas do nosso tempo: organiza ideias, estrutura argumentos, sugere alternativas, ajuda a rever textos. O risco não está na tecnologia, mas no uso que fazemos dela. Se a tratarmos como substituta do pensamento, entramos numa espiral de dependência: deixamos de exercitar a mente, perdemos memória ativa e sentido de autoria. Mas, se a encararmos como parceira crítica — alguém que questiona, sugere e desafia — então podemos transformar o ChatGPT num acelerador de aprendizagem e criatividade. A chave está na intenção: usar a IA como trampolim, não como muleta. Questionar as respostas, melhorar as sugestões, integrar o nosso próprio raciocínio no processo. É assim que conseguimos velocidade sem sacrificar profundidade. Como em tudo na vida, equilíbrio é a palavra de ordem. E a escolha é nossa. O ChatGPT e outras ferramentas semelhantes não vão desaparecer. Pelo contrário, estarão cada vez mais presentes. A pergunta essencial não é se devemos usá-las, mas como. Se nos limitarmos a copiar e colar, perderemos a oportunidade de desenvolver o nosso raciocínio — e de criar algo que realmente reflita quem somos. A tecnologia pode ser uma aliada poderosa, mas só se nos mantivermos no lugar de protagonistas. Pensar dá trabalho. Mas é precisamente esse trabalho que nos faz crescer.”

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