advertisemen tAs exportações de carvão do Zimbabué cresceram 102% nos primeiros oito meses do ano, mais do que duplicando em relação ao mesmo período de 2023. Os dados foram divulgados pela Minerals Marketing Corporation of Zimbabwe (MMCZ), entidade estatal responsável pela comercialização de todos os minerais no país, com excepção do ouro e da prata. De Janeiro a Agosto, as vendas de carvão industrial atingiram 14,4 milhões de dólares, contra 6,4 milhões de dólares no mesmo período do ano passado. Este resultado representa uma mudança significativa, já que o país tinha como tradição exportar sobretudo produtos de coque, de maior valor. De acordo com a MMCZ, o aumento da procura abriu novos destinos na região. “Estamos a fornecer carvão industrial principalmente para a África do Sul, República Democrática do Congo e Zâmbia”, afirmou Linos Masimura, presidente da Coal Producers Association, organização que representa os mineiros de carvão locais. Apesar do forte crescimento, o sector enfrenta sérias limitações de infra-estrutura. Os produtores dependem quase exclusivamente do transporte rodoviário, que é muito mais caro do que o ferroviário e reduz a competitividade do carvão no mercado internacional. “Na verdade, poderíamos produzir dez vezes mais do que produzimos se não fossem os desafios logísticos”, destacou Linos Masimura, sublinhando as dificuldades impostas pela falta de alternativas de transporte adequadas para escoar a produção. O sistema ferroviário do país está debilitado, resultado de anos de negligência e de falta de investimento, situação que obriga as mineradoras a recorrerem em excesso a camiões, o que sobrecarrega as estradas nacionais e aumenta de forma significativa os custos operacionais. O encarecimento do transporte reflecte-se no preço do carvão exportado, tornando o produto menos competitivo. Essa realidade impede o Zimbabué de aproveitar plenamente a procura actual e de transformar o seu potencial em maiores receitas. O país possui, no entanto, vastas reservas de carvão, sobretudo na região de Hwange. Além de garantir receitas de exportação, este recurso é vital para a produção interna de energia, sendo o principal combustível das centrais térmicas, como a Central Eléctrica de Hwange, que fornece a maior parte da electricidade consumida no Zimbabué.
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