Moçambique está entre os 17 países africanos seleccionados para beneficiar da iniciativa Hardest-to-Reach (H2R), liderada pela organização de investimento de impacto Acumen, com um financiamento de 1,2 mil milhões de meticais (20 milhões de dólares) assegurado pela instituição britânica de financiamento ao desenvolvimento British International Investment (BII).
De acordo com o portal Engineering News, a iniciativa tem como objectivo expandir o acesso à energia limpa, fiável e acessível em zonas remotas de economias consideradas de fronteira, como é o caso de vastas regiões de Moçambique ainda fora da rede nacional de electrificação.
O veículo financeiro da iniciativa, denominado H2R Amplify, foi concebido para apoiar empresas estabelecidas no sector de energia fora da rede (off-grid), através de empréstimos ligados a metas de impacto e financiamento estruturado com base em recebíveis. A prioridade são os países com as mais baixas taxas de electrificação da África Subsaariana, onde os níveis de cobertura variam entre 12% e 59%.
Com este financiamento do BII, a Acumen prevê atingir mais de 50 milhões de pessoas, sendo que 40 milhões terão, pela primeira vez, acesso a produtos de energia limpa. A iniciativa deverá ainda permitir evitar a emissão de mais de três milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, através da substituição de combustíveis altamente poluentes, como o querosene.
Além de Moçambique, o projecto abrangerá países como Benim, Burkina Faso, Burundi, Chade, República Democrática do Congo, Guiné, Guiné-Bissau, Lesoto, Libéria, Maláui, Níger, Serra Leoa, Somália, Togo, Uganda e Zâmbia.
Segundo a Acumen, o fundo H2R Amplify já garantiu 7,7 mil milhões de meticais (123 milhões de dólares) em compromissos na primeira fase de captação e foi desenhado para atrair capital comercial, com mecanismos de protecção de risco e retorno diferenciado, através de um modelo de financiamento misto (blended finance). Paralelamente, a vertente H2R Catalyse, dedicada ao investimento em empresas em fase inicial, arrecadou 3,6 mil milhões de meticais (57 milhões de dólares) desde 2023.
Para a representante especial do Governo britânico para o clima, Rachel Kyte, “ter acesso a electricidade fiável e acessível transforma vidas”, sublinhando que o apoio do Reino Unido à Acumen visa contribuir para alcançar o objectivo de acesso universal à energia até 2030.
Chris Chijiutomi, director para África da BII, afirmou que o investimento reflecte o compromisso da instituição em apoiar os mercados mais frágeis e desafiantes, onde o capital privado raramente chega. Sublinhou ainda que a iniciativa procura criar oportunidades económicas para as mulheres, que continuam a ser as mais afectadas pela pobreza energética.
Para Moçambique, este apoio representa uma oportunidade estratégica para acelerar o processo de electrificação em zonas rurais e promover a transição energética, num contexto em que a escassez de acesso à energia continua a limitar o desenvolvimento socioeconómico.
Sobre a Hardest-to-Reach (H2R)
A iniciativa Hardest-to-Reach (H2R) foi concebida para actuar especificamente em contextos de maior fragilidade, onde os investimentos convencionais raramente chegam, oferecendo soluções de financiamento inovadoras para permitir que empresas de energia fora da rede consigam crescer e operar em mercados de elevado risco.
Para além de fomentar a electrificação rural, o programa procura também impulsionar oportunidades económicas locais, com especial enfoque na inclusão das mulheres, que são desproporcionalmente afectadas pela pobreza energética.
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