O presidente-executivo da ExxonMobil, Darren Woods, reuniu-se recentemente com o chefe de Estado, Daniel Chapo, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, onde solicitou garantias de segurança para a implementação de um megaprojecto de gás natural na província de Cabo Delgado. A informação foi avançada esta semana pelo jornal britânico Financial Times, que cita fontes com conhecimento directo do encontro. O projecto em causa, orçado em 1,9 bilião de meticais (30 mil milhões de dólares), prevê a construção de um terminal de gás natural liquefeito (LNG) no Norte do País, considerado um dos maiores investimentos do género em África. No entanto, a persistente instabilidade provocada pela insurgência armada em Cabo Delgado continua a levantar dúvidas quanto à viabilidade da sua execução em segurança. Segundo a fonte, Darren Woods manifestou preocupações específicas relativamente às ameaças colocadas por grupos insurgentes ligados ao autodenominado Estado Islâmico, que desde 2017 têm perpetrado ataques que resultaram em milhares de mortes, destruição de infra-estruturas e deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas. A insurgência já levou anteriormente à suspensão de outros projectos energéticos na região, nomeadamente o da TotalEnergies, que declarou “força maior” em 2021 após os ataques à vila de Palma, centro logístico próximo da área de operação. Durante o encontro, Woods esteve acompanhado por Dan Ammann, responsável pelo segmento de exploração e produção da ExxonMobil. O Presidente da República, em declarações ao jornal, reiterou o compromisso do Governo em garantir condições de segurança para o investimento, afirmando que o projecto, uma vez concretizado, “poderá representar uma mudança profunda na economia nacional e na vida dos moçambicanos.” A ExxonMobil lidera a componente de liquefacção do gás na Área 4 da bacia do Rovuma, em consórcio com outras empresas e com a participação do Estado moçambicano através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH). A decisão final de investimento (FID), que se esperava para 2024, foi adiada para 2026, precisamente devido às preocupações em torno da segurança e estabilidade na zona de implementação. Entretanto, a petrolífera norte-americana tem mantido diálogo estreito com a TotalEnergies, com o Governo e com os demais parceiros do projecto Rovuma LNG, no sentido de avaliar as condições necessárias para avançar com o investimento. “Estamos a trabalhar para garantir que todos os pré-requisitos estejam reunidos para permitir uma decisão final de investimento sólida”, afirmou um porta-voz da ExxonMobil. Por sua vez, o presidente-executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, revelou esta semana que a empresa está a remobilizar-se no terreno e que se prepara para levantar formalmente o estado de “força maior” nos próximos tempos, sinalizando uma retoma das actividades na região.
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