A petrolífera norte-americana ExxonMobil, com forte presença em Moçambique através do consórcio da Área 4 na bacia do Rovuma, anunciou o despedimento de cerca de 2000 trabalhadores a nível global, no âmbito de um plano de reestruturação destinado a aumentar a eficiência operacional. Até ao momento, não há indicações de que estas medidas venham a afectar directamente os quadros relativos ao projecto Rovuma LNG, mas a decisão reacende preocupações sobre o ambiente de investimento no sector energético, num contexto global de contenção de custos e ajustamentos estratégicos. Moçambique continua a ser considerado uma aposta de longo prazo para a ExxonMobil. A empresa lidera a componente de liquefacção do projecto Rovuma LNG, cujo início de produção está previsto para 2030, embora a decisão final de investimento (FID) tenha sido adiada para 2026. Em Setembro último, o presidente executivo da companhia, Darren Woods, reuniu‑se com o Presidente da República, Daniel Chapo, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, para discutir garantias de segurança relativamente às infra‑estruturas planeadas para a província de Cabo Delgado – região que enfrenta uma instabilidade armada desde 2017. No entanto, o recente anúncio da empresa a nível internacional poderá sinalizar um ambiente mais cauteloso quanto à alocação de recursos humanos e financeiros nos seus diversos projectos. Os cortes anunciados correspondem a entre 3 % e 4 % do total de trabalhadores da ExxonMobil e decorrem, em grande parte, da integração de operações após a aquisição da Pioneer Natural Resources em 2024, numa transacção avaliada em cerca de 3,9 biliões de meticais (60 mil milhões de dólares). De acordo com informações avançadas pela Bloomberg, a empresa justifica a medida com a necessidade de consolidar equipas em localizações estratégicas, reduzindo redundâncias e aumentando a produtividade. “Estamos a alinhar a nossa pegada global com o nosso modelo operativo, reunindo as equipas em locais comuns para reforçar a eficácia”, declarou a empresa num comunicado enviado esta terça-feira (30). O movimento insere‑se numa vaga mais ampla de reestruturações no sector petrolífero internacional. A subsidiária canadiana Imperial Oil, detida maioritariamente pela ExxonMobil, anunciou também a eliminação de 20% dos seus postos de trabalho e o encerramento das suas actividades em Calgary. Outras empresas do sector, como a Chevron, a BP e a ConocoPhillips, confirmaram igualmente cortes significativos, numa altura em que os preços do crude têm revelado tendência de baixa e os níveis de actividade diminuíram nos principais estados produtores norte-americanos. Dados recentes do mercado indicam que os futuros do petróleo Brent caíram cerca de 10,5% desde o início do ano, pressionados pelo aumento da produção dos países da OPEP+ e pela incerteza ligada às políticas comerciais dos Estados Unidos. No primeiro semestre de 2025, o sector de produção petrolífera e de gás nos Estados Unidos perdeu cerca de 4700 postos de trabalho, segundo estatísticas laborais do Estado do Texas. Apesar de não haver impacto confirmado sobre Moçambique, a reestruturação da Exxon Mobil será acompanhada de perto por analistas e entidades governamentais, dado o peso estratégico do investimento da multinacional no futuro da indústria de gás natural do País.

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