O Banco de Moçambique voltou esta segunda-feira (29) a reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO), desta vez em 0,50 pontos percentuais, fixando-a em 9,75%. Trata-se do décimo corte consecutivo desde Janeiro de 2024, totalizando uma descida acumulada de 700 pontos base.
O anúncio foi feito pelo governador da instituição, Rogério Zandamela, no final da reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), em Maputo, tendo sublinhado que a decisão assenta na manutenção das perspectivas de inflação em um dígito no médio prazo.
“Esta medida decorre essencialmente da manutenção das perspectivas da inflação em um dígito, reflectindo em parte a estabilidade da taxa de câmbio e a tendência favorável dos preços internacionais de mercadorias, não obstante a prevalência, a nível doméstico, de elevados riscos e incertezas”, afirmou.a d v e r t i s e m e n t
Desde Setembro de 2022 que a taxa directora se encontrava em 17,25%, tendo o banco central iniciado uma trajectória de descidas sucessivas a partir de Janeiro de 2024.
A taxa caiu então para 16,5% e, desde essa altura, foram registadas reduções em praticamente todas as reuniões bimestrais: Março (15,75%), Maio (15%), Julho (14,25%), Setembro (13,5%), Novembro (12,75%), Janeiro de 2025 (12,25%), Março (11,75%), Maio (11,00%), Julho (10,25%) e, agora, Setembro (9,75%).
O governador referiu que o processo de normalização da taxa de juro, iniciado em 2024, cumpriu o horizonte inicialmente previsto de 24 a 36 meses, beneficiando famílias, empresas e o próprio Estado. “Foi um ganho enorme no sistema”, afirmou, embora tenha reconhecido que as taxas de referência praticadas pelos bancos comerciais aos seus clientes não acompanharam integralmente a descida, tendo caído em cerca de 600 pontos base no mesmo período.
Zandamela alertou, contudo, que a trajectória futura será mais cautelosa. “O CPMO continuará com o processo de normalização da taxa MIMO no médio prazo, porém em magnitudes modestas – eu diria cada vez mais modestas. O ritmo e a magnitude continuarão a depender das perspectivas da inflação, bem como da avaliação dos riscos e incertezas do médio prazo”, afirmou.
Em relação à economia, o banco central prevê uma recuperação gradual, apoiada pela produção de gás natural liquefeito (GNL) e pela implementação de projectos em áreas estratégicas.
No entanto, os riscos permanecem elevados. O governador destacou três factores principais que poderão pressionar a inflação nos próximos meses: o agravamento da situação fiscal, os choques climáticos e a lentidão na reposição da capacidade produtiva e da oferta de bens e serviços.
Segundo o comunicado do CPMO, a dívida pública interna continua a crescer, situando-se, em Agosto, nos 454,4 mil milhões de meticais, mais 38,8 mil milhões face a Dezembro de 2024, com impacto no funcionamento do mercado de títulos do Estado.
A próxima reunião do comité está agendada para 20 de Novembro de 2025.
Texto: Felisberto Rucoa d v e r t i s e m e n t
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