O Corredor da Beira é uma importante rota comercial e logística que conecta o Porto da Beira, em Moçambique, a países do interior de África, como Zimbabué, Maláui e Zâmbia. A rota inclui ligações rodoviárias e ferroviárias, sendo uma via estratégica para o escoamento de produtos e o desenvolvimento económico da região.

Neste sentido, o director Nacional de Logística, Fernando Ouana, explicou que está em curso um investimento de 290 milhões de dólares para modernizar o Porto da Beira e reposicionar a infra-estrutura como o centro logístico regional, salientando que no topo das preocupações consta a ineficiência do porto e os constrangimentos na ligação com o Zimbabué através da fronteira de Machipanda.

“Estamos a trabalhar para que, nos próximos anos, o Corredor da Beira esteja à altura das necessidades do País e da região, garantindo maior fluidez e competitividade ao comércio internacional”, afirmou o responsável citado pela Agência de Informação de Moçambique.

Na sua intervenção, Ouana enfatizou que o Porto da Beira opera actualmente sob forte pressão, com congestionamento frequente e capacidade limitada nos terminais de contentores e de carga diversa. “Apesar das obras em curso, os investimentos realizados até aqui não respondem plenamente às exigências crescentes do corredor”, esclareceu.

Segundo o director, o Governo está a estudar soluções para expandir o terminal de combustíveis, elevando a capacidade de armazenamento dos actuais três milhões para cinco milhões de metros cúbicos, e que estão em projecção novas infra-estruturas de descarga portuária ligadas ao pipeline que conecta Moçambique à cidade de Harare.

“Na ligação terrestre, o ponto mais crítico é a fronteira de Machipanda, onde os transportadores podem ficar dias à espera para fazer a travessia. Temos uma ponte de sentido único que funciona em regime de alternância, e isso é insustentável para o fluxo de mercadorias. Neste âmbito, pretendemos modernizar as infra-estruturas fronteiriças, incluindo a construção de uma nova ponte, um porto seco para processamento aduaneiro de camiões”, descreveu.

De acordo com Ouana, parte das soluções passa também pela cooperação com o Zimbabué para simplificação dos processos alfandegários e pela redistribuição das verificações fronteiriças em áreas externas. “Apesar dos actuais entraves, o potencial do Corredor da Beira continua a ser reconhecido como estratégico para a região, servindo a vários países.”

No ano passado, o Porto inaugurou um novo estaleiro frigorífico de exportação, com o objectivo de aumentar a capacidade de manuseamento de carga refrigerada, tanto para exportação como para importação. A iniciativa visava responder à crescente procura por transporte de mercadorias que requer controlo rigoroso de temperatura, especialmente de frutas cítricas e frutos do mar, dois dos principais produtos exportados pelo corredor da Beira.

Nos primeiros sete meses de 2024, o terminal de carga geral do Porto da Beira registou um aumento global de 24% em relação ao mesmo período de 2023. O terminal de contentores também apresentou um crescimento robusto de 40%, manuseando 226 mil contentores em comparação. O Zimbabué continua a ser o maior utilizador da infra-estrutura portuária para exportações, com produtos como crómio, lítio, petalite e tabaco.a d v e r t i s e m e n t

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