O Banco de Moçambique (BdM) fez saber que as manifestações pós-eleitorais que aconteceram no País influenciaram na redução em 42,5% das exportações de legumes no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o relatório do banco central, consultado pelo Diário Económico, estas vendas ao exterior somaram, de Janeiro a Março, 21,3 milhões de dólares (1,3 mil milhões de meticais), quando em igual período de 2024 tinham atingido 37 milhões de dólares (2,3 mil milhões de meticais). “A banana, um dos produtos tradicionais das exportações moçambicanas, rendeu no primeiro trimestre deste ano 10 milhões de dólares, menos do que os 11,8 milhões de dólares vendidos no mesmo período de 2024”, descreveu a entidade, acrescentado que os produtos tiveram como principais destinos a Índia e a África do Sul. Recentemente, o Governo anunciou que no âmbito do Plano de Recuperação e Crescimento Económico (Prece) pretende mobilizar 2,7 mil milhões de dólares a curto e médio prazo para estimular a economia, face aos efeitos das alterações climáticas e da instabilidade política. “A implementação eficaz do Prece contribuirá para restabelecer a confiança dos investidores e da população em geral, bem como acelerar a recuperação económica, criando um ambiente propício para investimentos, geração de emprego e crescimento sustentável no médio e longo prazo”, apontou Inocêncio Impissa, porta-voz do Executivo. O responsável explicou que, com a adopção do Prece, a projecção do Governo aponta para um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique de 2,5% em 2025, contra os anteriores 2,4%. Moçambique viveu quase cinco meses de tensão social, com manifestações, greves e barricadas em ruas de várias cidades, sobretudo Maputo — inicialmente em contestação aos resultados eleitorais de 9 de Outubro de 2024 —, convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados eleitorais. Os protestos degeneraram em violência com a polícia e provocaram cerca de 400 mortos, bem como a destruição e saque de infra-estruturas públicas e em empresas. Quase mil empresas foram afectadas pelas manifestações pós-eleitorais, com um impacto na economia superior a 32,2 mil milhões de meticais e 17 mil desempregados, segundo uma estimativa apresentada em Fevereiro pela Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA). Segundo o levantamento feito pelo organismo, foram afectadas, de “forma directa” pelas manifestações e agitação social que se seguiram às eleições gerais de Outubro, 955 empresas, das quais 51% “sofreram vandalizações totais e/ou saques das suas mercadorias.” A 23 de Março passado, o Presidente da República, Daniel Chapo, encontrou-se pela primeira vez com Venâncio Mondlane, tendo ambos assumido o compromisso de acabar com a violência, o que acabou por acontecer.advertisement
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