O Banco de Moçambique (BdM) avançou que as exportações de algodão, uma das principais culturas de rendimento de Moçambique, continuam em queda, recuando para 2,3 milhões de dólares (145,3 milhões de meticais) no primeiro trimestre. De acordo com um relatório estatístico divulgado pelo banco central e citado pela Lusa, com dados de Janeiro a Março, no igual período de 2024, os números situaram-se nos 3,7 milhões de dólares (233,8 milhões de meticais). Segundo a entidade, “o algodão garantiu 120,9 milhões de dólares em exportações nos últimos cinco anos, mas caiu mais de metade em 2024, situando-se nos 14,2 milhões de dólares, o valor anual mais baixo”. Francisco Ferreira dos Santos, presidente da Associação Algodoeira de Moçambique (AAM), diz que o sector representou, ao longo da última década, exportações médias anuais entre 30 e 50 milhões de dólares (entre 1,92 mil milhões e 3,2 mil milhões de meticais), sendo considerado estratégico para o País. “Tem uma cadeia de valor enorme. É uma cultura quase com efeitos catalisadores na economia e na demografia”, sublinhou o dirigente. Apesar da sua importância, Moçambique representa menos de 0,5% da produção mundial de algodão, num mercado liderado por potências agrícolas como os Estados Unidos, China e Índia. Fim do subsídio estatal à comercialização O Estado anunciou, em Maio de 2025, que deixará de subsidiar a comercialização de algodão na campanha agrária em curso, por indisponibilidade de verbas públicas, decisão que poderá impactar milhares de pequenos agricultores. A medida foi divulgada após a reunião de fixação de preços de referência para a campanha 2024-2025, que contou com o consenso entre o Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, o Fórum Nacional dos Produtores de Algodão e a AAM. O novo quadro estabelece o preço de 22 meticais por quilograma (0,34 dólares) para o algodão de primeira qualidade, e 15,5 meticais (0,24 dólares) para o de segunda qualidade. Em 2024, o Governo havia aprovado um subsídio de 5 meticais por quilograma (0,08 dólares) para estabilizar os preços e beneficiar 600 mil agricultores, numa tentativa de promover uma “cultura de confiança” e proteger os rendimentos dos produtores. A queda nas exportações e nos preços é explicada, em parte, pela falta de chuvas em algumas regiões, causada pelo fenómeno El Niño, pelo abandono da produção na província de Cabo Delgado e, sobretudo, pelo excesso de oferta no mercado internacional, o que pressionou em baixa os preços durante o ano passado. Pela segunda campanha consecutiva, o Governo interveio com subsídios para conter os impactos negativos. Contudo, a retirada do apoio estatal em 2025 poderá acentuar as dificuldades dos produtores, exigindo novas estratégias para manter a sustentabilidade da fileira do algodão.advertisement
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