advertisemen tO Zimbabué reviu em alta a sua previsão de crescimento económico para 2025, para 6,6%, sinalizando um optimismo cauteloso para um ano de recuperação após os desafios de 2024. O ministro das Finanças, Mthuli Ncube, anunciou a revisão em alta da projecção à anterior de 6%, atribuindo o mérito às colheitas mais fortes do que o esperado e aos preços favoráveis das matérias-primas. Agricultura recupera após seca A reviravolta está a ser liderada pelo sector agrícola, que foi duramente atingido pela seca induzida pelo El Niño em 2024. Este ano, o aumento das chuvas e o melhor acesso a insumos reactivaram a produção, com o tabaco e o milho a liderarem o aumento. O tabaco, um dos principais produtos de exportação do Zimbabué, deverá atingir vendas recorde, enquanto a produção de milho deverá reforçar a segurança alimentar e reduzir a dependência das importações. A recuperação é especialmente significativa, dado o papel desproporcional da agricultura na economia, tanto como fonte de divisas estrangeiras como meio de subsistência para milhões de famílias rurais. Os preços do ouro alimentam o optimismo na mineração Juntamente com a agricultura, os preços globais do ouro estão a proporcionar um grande impulso ao sector de mineração. O Zimbabué, que possui reservas significativas de ouro, está a beneficiar de uma recuperação que reforçou as receitas e atraiu um renovado interesse de investimento. As autoridades acreditam que o ouro continuará a ser um importante motor de crescimento em 2025, ajudando a compensar o desempenho mais fraco de outros minerais. A combinação de uma mineração resiliente e um sector agrícola em ressurgimento sustenta a confiança do Governo em atingir a sua meta de crescimento revista. Riscos permanecem no horizonte Apesar da previsão optimista, a economia do Zimbabué enfrenta desafios persistentes. A escassez de energia continua a pesar sobre a indústria e a mineração, enquanto as lacunas de infra-estrutura da energia ao transporte limitam a produtividade. A inflação, embora em declínio, continua a ser uma preocupação para as famílias e os investidores, e permanecem dúvidas sobre a sustentabilidade da estabilidade monetária. Os analistas também alertam que a forte dependência dos ciclos das commodities deixa o país vulnerável a choques externos. Embora o ouro e o tabaco estejam a apresentar um bom desempenho, a mutabilidade dos preços globais pode rapidamente reduzir as receitas. Rumo a uma recuperação sustentada A revisão em alta das previsões surge num momento em que o Zimbabué avança com a sua agenda Vision 2030, que visa transformar o país numa economia de rendimento médio-alto. Para alcançar este objectivo, serão necessárias reformas consistentes, investimentos em infra-estruturas e diversificação para além da agricultura e da mineração. Ainda assim, os números mais recentes destacam que o Zimbabué é capaz de se recuperar quando as condições se alinham. Combinando clima favorável, força das commodities e reformas políticas, Harare está a tentar redefinir a sua narrativa de crescimento e reconstruir a confiança dos investidores. Para os investidores internacionais, a revisão em alta ressalta tanto as oportunidades quanto os riscos: o Zimbabué está a mostrar resiliência, mas a sustentabilidade de seu caminho de crescimento dependerá de reformas que criem um ambiente económico mais previsível e competitivo. Fonte: Further Africa
Painel