O Governo reconheceu nesta terça-feira, 23 de Setembro, a existência de dificuldades no processo de reestruturação da empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), mas sublinhou que o objectivo é garantir uma companhia funcional e segura, havendo previsão de aquisição de cinco aeronaves até Dezembro. “Nunca dissemos que seria fácil o processo de reestruturação da transportadora, ainda vamos ter muitas dificuldades pela frente”, afirmou o ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante uma visita de três dias à Zambézia, na região Centro de Moçambique. Segundo o governante, a preocupação é assegurar que a companhia aérea seja a mais segura possível, frisando que estão a ser respeitados todos os padrões de segurança na frota actual. “Vamos esperar para ver se até ao final do ano conseguimos ter novas aeronaves, pois há aspectos que, infelizmente, não dependem de nós”, acrescentou Matlombe Há vários anos que a LAM enfrenta problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves. Em Fevereiro, o Executivo anunciou a alienação de 91% das acções do Estado na companhia aérea através de negociação particular. O valor estimado a ser arrecadado com esta venda, cerca de 130 milhões de dólares (8,3 mil milhões de meticais), deverá destinar-se à aquisição de oito novas aeronaves e à reestruturação da empresa. Por sua vez, o Instituto de Gestão das Participações do Estado, reunido em assembleia-geral extraordinária da LAM, decidiu pela cessação de funções do presidente do conselho de administração (PCA) Marcelino Gildo Alberto e dos administradores dos pelouros das Finanças, Recursos Humanos e Serviços Corporativos, Altino Xavier Mavile, e do Técnico e Operacional, Bruno Miranda. No mesmo encontro, houve a aprovação da nomeação de um conselho de administração não executivo, composto por representantes das empresas estatais que, este ano, passaram a ser accionistas da companhia aérea, nomeadamente a Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), a Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) e a Empresa Moçambicana de Seguros (Emose). Foi ainda aprovada a nomeação de uma “comissão de gestão, subordinada ao conselho de administração não executivo, com funções executivas, encarregada de conduzir a gestão da empresa e garantir a continuidade das operações.” Em Maio, o Governo contratou a Knighthood Global para liderar a nova fase da reestruturação financeira e operacional da LAM. À empresa, liderada por James Hogan, antigo presidente da Etihad Airways, foi dado um prazo de três meses para estabilizar e reposicionar a transportadora aérea moçambicana. “O foco nos primeiros três meses será estabilizar e reposicionar a LAM”, referia a nota da consultora, sublinhando que trabalharia em articulação com os novos accionistas, com mandato para adquirir novas aeronaves e reconstituir a frota.
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