O Relatório do Emprego em Angola 2024, divulgado nesta segunda-feria (22), revela a elevada disparidade salarial existente no país e o desfasamento entre a procura e a oferta de trabalho, com défice de oferta de emprego. O estudo, realizado pelo Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada Angola (Cinvestec) com base nos dados recolhidos entre 2020 e Junho de 2024 através da plataforma de emprego Jobartis, revela que entre os salários mais altos e os mais baixos praticados no país a diferença chega a ser de 340 vezes. De acordo com o relatório, entre as profissões mais bem pagas estão os directores-gerais, com salários que chegam aos cerca de 18 600 euros, seguidos dos directores, advogados e engenheiros seniores.advertisement No extremo oposto, entre os mais mal pagos, estão o pessoal de limpeza com vencimento de 144 euros, o pessoal de segurança cerca de 154 euros e os motoristas valores mínimos em torno de 110 euros. Apesar da amostra reduzida – apenas 21 empresas responderam –, as conclusões revelam algumas tendências relevantes, evidenciando um desfasamento entre a procura e a oferta de trabalho, marcado por poucas vagas abertas face ao elevado número de candidatos. No documento destacam-se as dificuldades das micro e pequenas empresas em pagar salários competitivos, embora sejam responsáveis por parte significativa da criação de emprego. Mais de 50% das empresas inquiridas manifestaram intenção de aumentar o número de trabalhadores, sobretudo as de menor dimensão, mas o impacto global é limitado e insuficiente para inverter o défice de vagas no mercado. Do lado da oferta, os jovens adultos (23–35 anos) dominam a força laboral e assumem papel central no futuro do mercado de trabalho angolano. No relatório salienta-se a “confiança, às vezes quase excessiva, com que os candidatos encaram as suas perspectivas de mobilidade e empregabilidade”, apesar das dificuldades estruturais. O Cinvestec conclui no estudo que o mercado de trabalho no país está em transformação e a ganhar sofisticação, mas continua marcado por fortes desigualdades salariais e défice de oferta de emprego. Fonte: Lusa
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