A síndrome da papoula alta é um fenómeno em que aqueles que ‘crescem demais’ são ‘cortados’ para se igualarem aos restantes. O termo foi inicialmente identificado na Austrália e na Nova Zelândia, mas já foi documentado em ambientes de trabalho em todo o mundo.

Não se trata apenas de inveja casual. A síndrome da papoula alta penaliza quem se destaca e parte da ideia de que essas pessoas devem ser punidas pelo seu sucesso, e não recompensadas, para que permaneçam ‘pequenas’.

Embora o termo já seja amplamente debatido, o relatório The Tallest Poppy, um projecto de investigação internacional, liderado pela pesquisadora Rumeet Billan, em parceria com a organização Women of Influence+, do Canadá, reuniu relatos de milhares de mulheres profissionais que foram ‘cortadas’ ao sobressaírem no ambiente corporativo.

Os resultados mostram claramente que a síndrome da papoula alta pode afectar qualquer pessoa, mas atinge as mulheres de forma mais profunda e prejudicial.

Mais de 4700 pessoas de 103 países foram entrevistadas para analisar como a saúde mental, o bem-estar, o empenho e o desempenho das mulheres são afectados por colegas, líderes e clientes em resposta ao seu sucesso.

O relatório insere a síndrome da papoula alta num contexto mais amplo de desigualdades enfrentadas pelas mulheres no trabalho, desde processos de recrutamento enviesados e disparidades salariais, até barreiras estruturais ao avanço profissional.

“Num emprego anterior, um ex-presidente do meu departamento disse que as minhas conquistas e trabalho árduo faziam os outros parecer mal”, partilhou uma participante.

Este tipo de relato torna-se ainda mais relevante no contexto da Grande Renúncia, quando inúmeras mulheres decidiram deixar os seus empregos. Algumas relataram dificuldades em conciliar o trabalho com os cuidados à família durante a pandemia. Outras mencionaram exaustão por serem mal remuneradas, ignoradas ou sobrecarregadas em empresas inflexíveis. Embora muitas tenham regressado ao mercado, a lacuna permanece, o que evidencia a necessidade urgente de mudanças estruturais.

Fonte: Forbes Brasil

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