Angola vai decidir até Novembro se renova o contrato de swap de retorno total de mil milhões de dólares com o JPMorgan ou se opta por levantar o dinheiro nos mercados internacionais de capitais. O acordo, assinado em Dezembro, está garantido por 1,9 mil milhões de dólares em obrigações do Governo e expira no final deste ano. “Temos algumas opções”, afirmou Dorivaldo Teixeira, director-geral da Unidade de Gestão da Dívida Pública, em declarações à Reuters em Londres. Angola poderá emitir dívida, reembolsar parcialmente ou prolongar o actual contrato, dependendo do custo e das condições de mercado. Segundo Teixeira, os rendimentos estão a evoluir de forma positiva para emissores de risco mais elevado. No entanto, sublinhou que o custo da linha de crédito do JPMorgan é mais baixo do que o das Eurobrigações do país. “Se eu puder estendê-la, provavelmente vou usá-la”, referiu.advertisement De acordo com dados do JPMorgan EMBI, o rendimento das obrigações internacionais de Angola ronda actualmente os 10%. Ainda assim, Teixeira garantiu que Angola vai batalhar por melhores condições do que os 9% que paga no acordo em vigor, seja com o banco ou através dos mercados. Os termos completos do swap nunca foram tornados públicos. O contrato ganhou destaque em Abril, quando Angola teve de pagar 200 milhões de dólares ao JPMorgan como garantia adicional, após a queda abrupta dos preços do petróleo e das suas obrigações devido à turbulência nas tarifas norte-americanas. Em Novembro, Angola também terá de reembolsar mais de 860 milhões de dólares referentes a uma obrigação em dólares emitida em 2015. A pressão financeira soma-se às decisões que o país precisa tomar sobre o contrato com o JPMorgan. O Ministério das Finanças está igualmente a trabalhar para aumentar a transparência da dívida pública. Segundo Teixeira, o boletim da dívida, que é publicado trimestralmente, passará a ser mensal a partir do próximo ano, com informações disponíveis em português e inglês. “A percepção de risco de Angola aumentou um pouco porque não nos comunicamos tanto. As pessoas precisam de mais informações sobre o que está a passar”, disse Teixeira. Ele acredita que uma maior divulgação ajudará a reduzir os custos de financiamento. O responsável acrescentou que os funcionários defendem uma previsão mais conservadora do preço do petróleo no Orçamento de 2026. O Brent está a 67 dólares, abaixo da suposição de 70 dólares usada em 2025, o que pode aumentar o défice. “Provavelmente no próximo ano devemos adoptar uma abordagem mais conservadora”, concluiu Teixeira. Fonte: Reuters

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