A ExxonMobil advertiu esta segunda-feira (22), em Maputo, que um excesso de regulamentação no sector energético poderá ter efeitos contrários e travar a inclusão de empresas nacionais nos grandes projectos de gás natural. O alerta foi lançado por Arne Geertz, director da multinacional norte-americana, durante a 10.ª edição da Cimeira & Exposição de Gás & Energia, onde reforçou que a experiência em países como a Guiana e a Papua Nova Guiné prova ser possível integrar fornecedores locais de forma voluntária e eficaz. “Excessiva regulamentação pode ter efeitos contrários e acabar por dificultar o conteúdo local”, afirmou Geertz, sublinhando que a ExxonMobil quer replicar em Moçambique modelos de inclusão que deram resultados positivos noutras geografias. Para o executivo, a prioridade deve ser a criação de um ecossistema de fornecedores locais com condições para responder às exigências de qualidade, segurança e eficiência que um megaprojecto requer. Apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria nos últimos anos, como a pandemia da covid-19 e a insegurança em Cabo Delgado, Geertz destacou a resiliência dos moçambicanos e dos parceiros do sector como factor determinante para a continuidade dos investimentos. “Acredito que o futuro é muito mais brilhante do que o nosso passado, e já começamos a ver nascer esse novo dia para Moçambique e para o projecto Rovuma LNG”, acrescentou. O director revelou ainda que o consórcio liderado pela ExxonMobil prevê alcançar em 2026 a decisão final de investimento para o projecto Rovuma LNG, considerado o maior investimento de sempre em África e uma das iniciativas mais complexas do sector a nível mundial. A empresa encontra-se a concluir os estudos de engenharia e, até ao final deste ano, espera ter concluído os trabalhos preparatórios para viabilizar o plano de desenvolvimento, assegurar financiamento e fechar contratos de venda de longo prazo. Entre os avanços já visíveis, Geertz destacou a construção do Campo Kwanza, acampamento pioneiro na região de Palma, que será fundamental para suportar a fase de execução. O campo, que terá capacidade inicial para 300 camas, deverá ser expandido com um investimento estimado em 300 milhões de dólares (19 mil milhões de meticais), criando mais de 4400 empregos para moçambicanos. O projecto Rovuma LNG, liderado pela ExxonMobil e pela Eni em parceria com a CNPC, Galp, Kogas e a ENH, prevê instalar uma unidade de liquefacção de 18 milhões de toneladas por ano, composta por 12 módulos de 1,5 milhões de toneladas cada. O complexo incluirá ainda uma central eléctrica de 800 MW, potência suficiente para alimentar 1000 carros de Fórmula 1 em simultâneo. No seu apelo final, Geertz convidou empresas moçambicanas a registarem-se na plataforma MozUp, onde são publicadas oportunidades de fornecimento, requisitos de certificação e normas exigidas pelos contratantes. “Queremos trabalhar lado a lado com os fornecedores locais. O sucesso do Rovuma LNG também depende do talento e da capacidade de Moçambique”, concluiu. A 10.ª edição da Cimeira & Exposição de Gás & Energia de Moçambique decorre entre os dias 22 e 24 de Setembro, na cidade de Maputo, reunindo os principais actores do sector energético nacional e internacional. O evento, organizado em parceria com o Governo de Moçambique, posiciona-se como a principal plataforma de debate e cooperação sobre o futuro energético do país, com enfoque na industrialização, transição energética e desenvolvimento local. Ao longo de três dias, líderes governamentais, executivos de topo, reguladores, operadores e especialistas partilham perspectivas em torno de temas-chave como o gás natural liquefeito (GNL), energias renováveis, financiamento de projectos, conteúdo local e políticas de transição energética. A cimeira inclui painéis de alto nível, seminários técnicos, sessões de networking e uma exposição empresarial, promovendo oportunidades concretas de investimento e reforçando o papel de Moçambique como actor estratégico no panorama energético regional e global.
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