advertisemen tÁfrica é muitas vezes descrita em função dos seus recursos terrestres – solos férteis, riqueza mineral e vastas savanas. Porém, um dos maiores activos ainda pouco explorados encontra-se no mar: os seus oceanos, rios e lagos. Estes recursos aquáticos, colectivamente conhecidos como economia azul, podem gerar milhares de milhões em receitas, criar empregos e aumentar a resiliência face às alterações climáticas, desde que sejam geridos de forma sustentável. O potencial inexplorado A costa africana estende-se por mais de 30 mil quilómetros, abrangendo os oceanos Atlântico e Índico e o mar Mediterrâneo. No interior, grandes rios como o Nilo, o Congo e o Níger, além da região dos Grandes Lagos, sustentam milhões de pessoas. Apesar dessa abundância, África aproveita apenas uma fração do valor potencial das suas águas. A pesca mantém-se pouco desenvolvida, o transporte marítimo é dominado por frotas estrangeiras e o turismo costeiro sofre com a fraca infra-estrutura. Além disso, a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada (IUU) retira ao continente cerca de 10 mil milhões de dólares todos os anos, agravando a perda de receitas e a pressão sobre os ecossistemas marinhos. Sectores estratégicos de crescimento Pesca e aquicultura: Com melhor regulamentação e maior investimento, África poderia tornar-se exportadora líquida de peixe e marisco. O Egipto e a Nigéria já expandem projectos de aquicultura. Comércio marítimo e logística: Portos como os de Mombaça, Durban e Lagos são portas de entrada vitais. A aposta em corredores como a Ferrovia Atlântica do Lobito pode reforçar o papel africano nas cadeias globais. Turismo costeiro e marítimo: Os recifes de coral de Moçambique e as praias de Cabo Verde continuam subaproveitados, mas oferecem grande potencial de divisas se houver melhor infra-estrutura. Energia oceânica renovável: As energias das ondas, das marés e a eólica offshore representam uma alternativa promissora para diversificar para além dos combustíveis fósseis. Resiliência climática e sustentabilidade A economia azul não se resume ao lucro. É também uma estratégia de resiliência. O aumento do nível do mar e a erosão costeira ameaçam cidades como Lagos e Alexandria, enquanto a sobrepesca compromete a segurança alimentar. A boa gestão dos recursos marinhos – com cooperação regional, quotas sustentáveis ​​e investimento em conservação – é fundamental para equilibrar o crescimento económico com a preservação ambiental. Os Estados africanos alinham-se cada vez mais com a Estratégia Marítima Integrada 2050 da União Africana. Esta visa reforçar a governação, monitorizar as águas territoriais e atrair investimento em indústrias marítimas sustentáveis. Financiamento da economia azul Para desbloquear o potencial da economia azul é essencial mobilizar capital. Os chamados títulos azuis estão a ganhar relevância. Em 2018, as Seychelles emitiram o primeiro título azul soberano africano, financiando a conservação marinha e a pesca sustentável. Modelos semelhantes podem abrir caminho para outros Estados financiarem projectos de protecção costeira, aquicultura e energia renovável baseada no oceano, ampliando as oportunidades de desenvolvimento. As instituições financeiras de desenvolvimento e investidores privados começam também a reconhecer este potencial. Ao combinar rentabilidade e sustentabilidade, África pode atrair mais investimentos e, ao mesmo tempo, proteger o seu património natural. A economia azul pode ser uma das maiores alavancas de África para alcançar crescimento inclusivo e resiliência climática. O investimento na pesca, comércio marítimo, turismo costeiro e energia oceânica pode transformar águas subaproveitadas num motor de prosperidade. A história africana tem sido contada sobretudo pela sua terra. Mas, nos próximos anos, a riqueza das águas poderá revelar-se igualmente transformadora – se for gerida de forma sensata, inclusiva e sustentável. Fonte: Further Africa

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