advertisemen tA semana económica foi marcada por quatro tendências cruciais: agravamento da dívida pública, lançamento de uma “ambiciosa” estratégia de financiamento climático, dinamismo das exportações lideradas pela Índia e arrefecimento do crédito bancário à economia. A dívida pública de Moçambique voltou a aumentar no segundo trimestre de 2025, atingindo 17,41 mil milhões de dólares (1,1 biliões de meticais), equivalente a 79,1 % do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Boletim Trimestral do Ministério da Economia e Finanças, o crescimento foi impulsionado pela dívida interna, que ascendeu a 444,9 mil milhões de meticais (6,9 mil milhões de dólares), mais 0,4 % que no trimestre anterior. A dívida externa registou uma ligeira contracção, situando-se em 9,8 mil milhões de dólares, com destaque para os credores multilaterais como a IDA (30,3 %) e o FMI (10,1 %). advertisement O sector empresarial do Estado agravou a pressão sobre o erário, com a dívida das empresas públicas a crescer 7,2 %, para 39,1 mil milhões de meticais (619 milhões de dólares), impulsionada pelo financiamento externo aos Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), que captaram 36 milhões de dólares para expandir o terminal de combustíveis em Pemba. Apesar da queda de 53,1 % no serviço da dívida externa — que se fixou em 98,6 milhões de dólares (6,2 mil milhões de meticais) — o serviço da dívida interna aumentou 9 %, totalizando 78,7 milhões de meticais. Setembro perfila-se como o mês mais oneroso do ano, com previsões de amortizações e juros superiores a 20 mil milhões de meticais. Ainda na mesma semana, o Executivo aprovou a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034, estimada em 37,2 mil milhões de dólares (2,3 biliões de meticais) até 2030. A iniciativa visa impulsionar uma economia de baixo carbono e reforçar a resiliência climática de pessoas, infra-estruturas e ecossistemas. Entre as metas estão a criação de um regulamento específico para o mercado do carbono, a implementação de instrumentos-piloto de financiamento misto e a estruturação de projectos de troca de dívida por acção climática. No comércio externo, a Índia consolidou-se como principal destino das exportações moçambicanas, absorvendo 18,2 % das vendas externas no primeiro trimestre de 2025 — cerca de 515 milhões de dólares (42,7 mil milhões de meticais). Os principais produtos foram gás natural, carvão, castanha de caju e minerais. A África do Sul e a Coreia do Sul seguiram-se como maiores compradores. No mesmo período, as exportações totais cresceram 4,8 %, enquanto as importações caíram 7,3 %, resultando numa ligeira melhoria da balança comercial. O crédito à economia registou uma contracção de quase 2 % em Junho, fixando-se nos 287 mil milhões de meticais (4,4 mil milhões de dólares), face ao recorde de Maio. Os sectores com maior volume de crédito foram os particulares (1,5 mil milhões de dólares), transportes e comunicações (403 milhões), comércio (336 milhões) e indústria transformadora (325 milhões). Apesar da redução da taxa de juro de política monetária para 10,25 % em Julho e da descida da prime rate para 16,5 % em Setembro, o Banco de Moçambique alerta para riscos persistentes à inflação e ao crescimento, devido à frágil recuperação económica, ao impacto da dívida pública e aos choques climáticos. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement
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