Os dados mais recentes da balança de pagamentos do Banco de Moçambique (BdM) confirmam que a Índia reforçou a sua posição como principal destino das exportações nacionais no arranque de 2025.
Só nos primeiros três meses do ano, aquele mercado asiático comprou produtos moçambicanos avaliados em 515 milhões de dólares (42,7 mil milhões de meticais), o que corresponde a 18,2% de todas as vendas externas.
No mesmo período, as exportações globais de Moçambique totalizaram quase 1,8 mil milhões de dólares (153,8 mil milhões de meticais), mais 4,8% do que em igual trimestre de 2024. Em contrapartida, as importações registaram uma queda de 7,3%, fixando-se em 1,8 mil milhões de dólares (155,9 mil milhões de meticais), o que resultou numa ligeira melhoria da balança comercial.
A análise por destinos revela que, depois da Índia, a África do Sul surge como segundo maior comprador, absorvendo 380 milhões de dólares (31,6 mil milhões de meticais), o equivalente a 13,4% do total, sobretudo em energia eléctrica e produtos agrícolas.
A Coreia do Sul aparece logo a seguir, com 338 milhões de dólares (28,1 mil milhões de meticais), enquanto a China ocupou a quarta posição, com aquisições de 322 milhões de dólares (26,8 mil milhões de meticais). Entre os principais produtos exportados destacam-se gás natural, carvão mineral, castanha de caju, bananas e minerais pesados.
No capítulo das importações, a África do Sul manteve o estatuto de principal fornecedor de Moçambique, responsável por quase um terço das compras externas — 551 milhões de dólares (45,9 mil milhões de meticais) — com destaque para energia eléctrica, veículos, farinhas de cereais e óxido de alumínio. Seguiram-se a China, com 304 milhões de dólares (25,4 mil milhões de meticais), e a Índia, com 121 milhões de dólares (10,1 mil milhões de meticais), sobretudo em arroz e medicamentos.
Os números divulgados pelo Banco de Moçambique evidenciam não apenas a dependência estrutural do País da exportação de recursos naturais, mas também a crescente centralidade da Índia enquanto parceiro estratégico, tanto na balança comercial como no investimento directo em sectores como energia e agricultura.
Texto: Felisberto Ruco
Painel