A mineradora australiana MRG Metals vai iniciar, ainda durante este mês de Setembro, a exploração de dois projectos de elementos de terras raras (REE, na sigla em inglês) em Moçambique, mais concretamente nas licenças denominadas Adriano (11002L) e Fotinho (11000L). A informação foi avançada pela empresa na sua página oficial da rede social X (antigo Twitter), onde divulgou os detalhes do plano de trabalho. O programa arranca pela licença Adriano e terá uma duração estimada de oito semanas, estando os primeiros resultados previstos para Fevereiro de 2026. De acordo com a empresa, a amostragem preliminar já realizada revelou resultados “excepcionais”, com 100% das amostras de sedimentos de ribeira apresentando anomalias em terras raras, 74% acima de 1000 ppm de óxidos totais de terras raras (TREO) e um teor máximo de 3,24% de TREO. A campanha será posteriormente estendida à licença Fotinho, que cobre um corredor considerado promissor para REE em escala distrital. As actividades programadas incluem perfuração com trado, amostragem de sedimentos e solos, bem como estudos metalúrgicos para avaliar a viabilidade económica dos depósitos. Os projectos Adriano e Fotinho fazem parte de um portefólio mais vasto de exploração de terras raras, tório (Th) e urânio da MRG Metals em Moçambique. A empresa submeteu candidaturas para estas licenças em 2022, baseando-se em dados radiométricos que identificaram fortes anomalias associadas a monazite em solos e sedimentos de ribeira. No projecto Fotinho, os estudos preliminares indicaram concentrações de tório superiores a 1000 ppm, evidenciando o elevado potencial geológico da zona. A MRG Metals já desenvolve outras iniciativas no País. Em Outubro de 2024, o Diário Económico noticiou que a empresa tinha iniciado operações de perfuração nos projectos Corridor North e Marão, com foco em areias minerais pesadas, em parceria com a Sinowin Lithium, uma empresa chinesa de investimento. Com um orçamento inicial superior a 3,7 milhões de meticais (60 mil dólares), o objectivo era alcançar 440 mil toneladas por ano de concentrado, no âmbito de uma estratégia de expansão mais ampla que inclui também os projectos Corridor Central e Sul. A MRG Metals é cotada na bolsa australiana e foca-se sobretudo na exploração de elementos magnéticos de terras raras como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, materiais críticos para tecnologias como veículos eléctricos, turbinas eólicas e outros componentes de transição energética. Texto: Felisberto Ruco

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