Uma equipa de investigadores de universidades da Holanda demonstrou que equipamentos robóticos instalados numa mochila ajudam indivíduos com ataxia a ficar em pé e andar com mais estabilidade, reduzindo a sua dependência de auxiliares de mobilidade, como andadores. A mochila, baptizada de Gyropack, utiliza tecnologia giroscópica semelhante à usada em estações espaciais e grandes satélites artificiais para manter a orientação no espaço. Optimizada para uso médico, a mochila contém rodas giratórias internas que geram resistência às rotações do tronco do utilizador, resultando em melhor postura e maior equilíbrio. A ataxia é uma condição neurológica na qual o cerebelo, a parte do cérebro responsável pela coordenação, funciona de forma inadequada, criando problemas de equilíbrio e coordenação e aumentando o risco de quedas. “Algumas pessoas com ataxia, geralmente jovens, dependem de um andador. Esses dispositivos podem ser pesados e incómodos, e muitos pacientes consideram-nos estigmatizantes”, disse o professor Jorik Nonnekes, da Universidade Radboud. Os primeiros testes envolveram 14 pacientes com ataxia moderada a avançada. Os participantes realizaram exercícios de equilíbrio e caminhada em três condições: sem a mochila, com a mochila totalmente operacional e com os giroscópios girando, mas sem gerar nenhum efeito útil — a última condição era de controlo, pois era indistinguível em som e vibração do suporte activo. As melhorias mais significativas foram observadas quando os giroscópios estavam activos. “Os pacientes estavam visivelmente mais estáveis e conseguiam, por exemplo, andar em linha recta com muito mais eficiência”, observou Nonnekes. No entanto, mesmo sem os giroscópios activos, a mochila proporcionou benefícios notáveis, provavelmente devido ao seu peso de cerca de seis quilos, que ajuda a estabilizar a parte superior do corpo. A equipa ainda pretende fazer melhorias na mochila, com foco na facilidade de uso e na redução do peso e do ruído. “Ainda não é adequada para utilização diária, mas no futuro poderá ajudar pessoas com ataxia a participar mais livremente da vida cotidiana, como nos eventos sociais, sem a necessidade de um andador, que muitos consideram volumoso e inconveniente. Isso poderia melhorar muito a sua mobilidade e qualidade de vida em geral”, concluiu Jorik Nonnekes. Fonte: Inovação Tecnológica
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