
Draghi salientou que existe “incerteza jurídica” quanto à aplicação do Regulamento Europeu de Proteção de Dados, o que gera “atrasos onerosos” na formação dos modelos de inteligência artificial da UE. Neste sentido, fez eco das exigências das empresas à Comissão Europeia para uma “simplificação radical” da regulamentação. A lei da IA, que permite ou proíbe a utilização da tecnologia com base no risco que representa para os indivíduos, entrou em vigor no ano passado e será implementada gradualmente até 2027. Draghi afirmou que a proibição, que já começou a ser aplicada, com exceções, às câmaras de identificação biométrica e a outros sistemas de “risco inaceitável”, bem como as diretrizes que os modelos de inteligência artificial generativa devem seguir desde agosto, não geraram “grandes complicações”. Mas reclamou que as orientações que a Comissão Europeia ainda não propôs para sistemas de alto risco em áreas como as infraestruturas críticas ou a saúde sejam aplicadas de forma “proporcional” para incentivar a inovação. “Na minha opinião, a implementação desta fase deve ser suspensa até que compreendamos melhor as potenciais desvantagens” que as regulamentações podem causar, disse Draghi numa conferência que assinalou o primeiro aniversário da apresentação do seu relatório sobre a competitividade da UE. O ex-presidente do BCE pediu que seja realizada uma avaliação dos riscos que a IA pode representar para a proteção das infraestruturas críticas ou do setor da saúde “ex post” e não “ex ante”, para que só possam ser proibidas quando os efeitos reais na população forem conhecidos. A vice-presidente para a Soberania Tecnológica da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, já abriu por diversas vezes a possibilidade de adiar a implementação de alguns aspetos da lei da IA caso as empresas tenham preocupações quanto à sua aplicação. Em concreto, Bruxelas lançou hoje uma consulta pública sobre simplificações na lei da inteligência artificial, na lei dos dados e na lei da cibersegurança, que planeia apresentar nos próximos meses. “Costuma dizer-se que a inteligência artificial é uma tecnologia transformadora, como a eletricidade há 140 anos. Mas depende da orquestração de pelo menos quatro outras tecnologias: serviços na ‘cloud’ para armazenar dados, supercomputadores para processar dados, cibersegurança para setores sensíveis e redes avançadas”, observou Draghi. Leia Também: EDMO: UE está a ser usada como arma de desinformação na Moldávia
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