O Governo intensificou nos últimos meses o processo de consultas públicas para a criação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM), uma instituição concebida para impulsionar o financiamento a sectores estratégicos como infra-estruturas, indústria, energia e logística, com o objectivo de promover uma transformação económica sustentável e inclusiva. Integrado na Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025-44, o projecto do BDM propõe-se preencher lacunas históricas no acesso a crédito, sobretudo em áreas pouco servidas pela banca comercial. Segundo informações divulgadas pelo portal Further Africa, o modelo em preparação procura mobilizar capital nacional e internacional para investimentos de longo prazo, com impacto directo na criação de emprego e na redução das assimetrias regionais. As auscultações públicas já abrangeram províncias como Sofala, Tete e Zambézia, contando com a participação de agentes do Estado, empresários, académicos e representantes da sociedade civil. advertisement As sessões, que decorrem em ambiente de diálogo aberto, visam garantir que o novo banco seja construído a partir das realidades locais e das aspirações colectivas. Estão ainda previstas consultas em Niassa, Cabo Delgado, Manica, Inhambane, Gaza, Maputo e Nampula. Em simultâneo, o Executivo activou canais digitais para que os cidadãos possam submeter opiniões e propostas. Esta abordagem híbrida, que alia participação presencial e contributos online, é apontada como um exemplo de boas práticas em matéria de governação e transparência institucional. A criação do BDM é vista como uma oportunidade para o País estruturar uma instituição com autonomia funcional, mas alinhada com a política económica nacional e em articulação com o Banco de Moçambique. A experiência de bancos similares, como o sul-africano DBSA, o brasileiro BNDES ou o angolano BDA, tem sido estudada como referência, sem ignorar os riscos associados à má governação ou à interferência política. O Executivo tem sublinhado que o sucesso do BDM dependerá de uma arquitectura legal robusta, uma estrutura de capital adequada e uma gestão profissional, imune a lógicas conjunturais. A expectativa é que o banco venha a funcionar como catalisador de grandes investimentos e parceiro das instituições de financiamento do desenvolvimento. Embora ainda em fase preliminar, o processo está a ser acompanhado com atenção por investidores internacionais, que encaram a criação do BDM como um sinal do compromisso do Estado com a modernização do sistema financeiro e a criação de condições para o crescimento sustentado.
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