As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) registaram um volume de vendas na ordem dos 2,2 mil milhões de meticais (35 milhões de dólares) entre Maio e Agosto, reflectindo os primeiros sinais da reestruturação em curso sob nova administração. De acordo com dados divulgados esta segunda-feira (15), os resultados revelam um crescimento progressivo das receitas mensais desde o início do ano, com particular destaque para o período pós-reestruturação, impulsionado por uma melhoria na pontualidade dos voos e ligeiro aumento da oferta de lugares. O desempenho financeiro recente é igualmente atribuído a uma maior disciplina na gestão da bilhética, no controlo de vendas a crédito e nos processos de cobrança, aliada à centralização das aquisições e reforço das funções da auditoria interna. advertisement Este conjunto de medidas permitiu não só racionalizar custos, mas também amortizar dívidas com fornecedores estratégicos, incluindo a liquidação de pendências junto da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Agostinho Langa, presidente do conselho de administração dos Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) — uma das empresas públicas que agora integra a estrutura accionista da LAM — assegurou que a companhia aérea entrou numa nova fase de sustentabilidade operacional. “Hoje já somos procurados para negócios de leasing. Antes, bastava o nome LAM para causar desconfiança”, declarou o dirigente, sublinhando o esforço de credibilização da empresa. No plano operacional, foi também implementado um sistema de gestão unificado que substitui os anteriores 11 sistemas paralelos, permitindo maior eficiência na cadeia de suprimentos e na aquisição de bens e serviços. A medida insere-se numa estratégia mais ampla de recuperação da companhia, que há anos enfrenta limitações severas devido à escassez de aeronaves e à falta de investimentos na manutenção da frota. A nova estrutura accionista da LAM, aprovada em Maio, é composta por três grandes empresas estatais: Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), CFM e a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), tendo nomeado um conselho de administração não executivo com mandato para guiar a reestruturação. Numa aposta para reforçar a capacidade operacional, a LAM prevê adquirir até cinco aeronaves Boeing 737‑700 até Dezembro, num processo coordenado pela consultora Knighthood Global. Os estudos de viabilidade incluem, segundo Langa, a expansão de rotas nacionais e regionais. “Não falámos em aviões novos. Se esperássemos por um Boeing novo, levaríamos três anos. Precisamos de soluções imediatas”, reforçou. Apesar dos progressos registados, o responsável da CFM alertou que persistem obstáculos ao processo de transformação, tanto internos como externos. “Há forças que puxam no sentido contrário. Pedimos paciência, este caminho leva tempo”, concluiu. Texto: Felisberto Rucoa dvertisement

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