advertisemen tAs vendas electrónicas cresceram 35% em 2024 e devem aumentar mais 38% em 2025, ultrapassando as vendas a retalho físicas, aponta o relatório Online Retail in South Africa 2025, da World Wide Worx – uma empresa especializada em pesquisa de mercado e análise de dados, focada em tecnologias digitais. O CEO da World Wide Worx, Arthur Goldstuck, sublinhou que essa mudança mostra a rapidez com que o comércio electrónico passou de uma actividade marginal para o centro da economia de retalho naquele país. “Quase um em cada dez rands gastos no retalho será agora online. Isto já não é apenas uma experiência; é uma força estrutural na economia”, afirmou. Mas, a par deste rápido crescimento, surgem novas preocupações sobre o impacto nos empregos locais e a distribuição desigual dos benefícios. Um estudo realizado pelo Localisation Support Fund (LSF) – fundo criado na África do Sul para acelerar a industrialização – revelou que, até 2024, cerca de 8100 empregos locais, principalmente no retalho e na indústria transformadora, não se concretizaram devido à crescente concorrência de plataformas internacionais como a Shein e a Temu. Se as tendências actuais continuarem, o relatório alerta que 34 mil empregos poderão estar em risco até 2030, à medida que a concorrência estrangeira cresce. Simon Eppel, director de pesquisa do Sindicato dos Trabalhadores do Vestuário e Têxtil da África do Sul, afirmou que as importações de baixo custo estão a pressionar as empresas locais, alertando que isso está a “deprimir os preços que os retalhistas locais podem cobrar”. O Governo tornou as regras alfandegárias mais rígidas e removeu as isenções de Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA) sobre pequenas encomendas para diminuir o fluxo de importações baratas, mas a LSF afirma que ainda existem lacunas na aplicação da lei. Embora o relatório da World Wide Worx indique que 65% dos retalhistas sul-africanos afirmam que a Shein e a Temu tiveram pouco impacto nos seus negócios e 75% consideram os seus próprios sistemas de comércio eletrónico melhores do que os dos seus rivais internacionais, o efeito cumulativo sobre os empregos e os fornecedores locais continua a ser motivo de preocupação. A exclusão digital como um desafio no comércio electrónico Um relatório da GSMA de 2025 – associação internacional que representa os interesses de mais de 750 operadores e fabricantes de telefonia móvel de 220 países – mostra que, embora a Internet móvel alcance 96% da população mundial, 3,1 mil milhões de pessoas ainda estão offline. Na África Subsaariana, 65% das pessoas continuam sem ligação à Internet. As mulheres têm 14% menos probabilidades de estar online do que os homens, e as comunidades rurais têm 25% menos ligação do que as áreas urbanas. A organização afirma ainda que o custo dos smartphones básicos continua a ser uma grande barreira, com os dispositivos básicos a custar até 16% do rendimento mensal nos países de rendimento baixo e médio. Estima-se que um dispositivo que custa cerca de 30 dólares poderia ajudar a conectar 1,6 mil milhões de pessoas à Internet. As mulheres têm 14% menos probabilidades de estar online do que os homens, e as comunidades rurais têm 25% menos ligação do que as áreas urbanas Entretanto, o relatório da World Wide Worx mostra que, embora a maioria utilize ferramentas tradicionais como pagamento na entrega (37%) e pontos de recolha físicos (36%), apenas alguns utilizam Inteligência Artificial (9%), envio directo (7,5%), pagamentos automatizados (2,5%) ou realidade virtual (1%). Já o CEO da Peach Payments, Rahul Jain, destacou que o comércio pelo WhatsApp está a emergir como um canal poderoso para as pequenas empresas interagirem directamente com os clientes. O responsável acrescentou que os retalhistas também “precisarão de se tornar localizáveis pela Inteligência Artificial (IA)”, à medida que os hábitos de compra mudam para a pesquisa impulsionada pela IA, uma mudança que descreveu como “a maior disrupção na pesquisa desde que o Google se tornou público”. Os especialistas afirmam que o crescimento do sector de comércio electrónico da África do Sul oferece grandes oportunidades, mas também corre o risco de aprofundar a desigualdade se não for cuidadosamente gerido. Fonte: Bussiness Insider África
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