a d v e r t i s e m e n tO Maláui realiza esta terça-feira (16) eleições gerais com 17 candidatos presidenciais, entre eles o actual Presidente, Lazarus Chakwera, e o seu antecessor, Peter Mutharika. O escrutínio decorre num contexto de elevada inflação e de fenómenos climáticos extremos.

Cerca de 7,2 milhões de eleitores estão chamados às urnas para escolher não só o próximo Presidente da República, como também 229 deputados para o Parlamento e, a nível local, 509 vereadores, segundo noticiou a BBC.

A Missão de Observação Eleitoral da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SEOM), chefiada por Themba Masuku, acompanhará o processo e divulgará, a 18 de Setembro, uma declaração preliminar sobre o desenrolar das eleições.

Também a União Europeia confirmou, em 22 de Agosto, que enviaria uma missão de observação eleitoral, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Comissão Eleitoral do Maláui.

Com uma inflação próxima dos 30% e afectado por secas e ciclones, o país vizinho de Moçambique atravessa sérias dificuldades. Muitos cidadãos mostram-se descrentes em relação a mudanças políticas que possam melhorar as suas condições de vida.

“As pessoas sentem-se encurraladas. A economia está em crise, os políticos são sempre os mesmos e a maioria não acredita que esta eleição vá mudar as suas vidas”, afirmou à AFP Michael Jana, professor de ciências políticas da Universidade de Witwatersrand.

Lazarus Chakwera, de 70 anos, pastor evangélico e líder do Partido do Congresso do Maláui, procura um segundo mandato. Chegou ao poder em 2020, após a anulação das eleições de 2019 devido a irregularidades.

Na altura, Chakwera obteve quase 59% dos votos e derrotou Peter Mutharika, de 85 anos, líder do Partido Democrata Progressista, o mais antigo do país. Contudo, a esperança dessa transição foi minada pela inflação e por escândalos de corrupção.

Mutharika tenta agora capitalizar o descontentamento popular, apesar de o seu mandato entre 2014-20 ter sido marcado por estagnação económica, escassez de bens essenciais e acusações de nepotismo.

Campanha eleitoral no Maláui

Uma sondagem recente aponta Mutharika com 41% das intenções de voto, contra 31% de Chakwera. “A menos que haja alianças que ultrapassem as divisões territoriais, é improvável que haja uma vitória logo na primeira volta”, observou Michael Jana.

Entre os restantes candidatos estão a ex-Presidente Joyce Banda, o actual vice-presidente Michael Usi e o antigo governador do banco central Dalitso Kabambe, cujas hipóteses são consideradas reduzidas. Dalitso Kabambe enfrenta acusações de corrupção e branqueamento de capitais.

Segundo Boniface Dulani, professor de ciências políticas da Universidade do Maláui, “o que está em causa neste escrutínio resume-se a uma palavra: economia”. Para o académico, a inflação, a falta de combustíveis e a corrupção baixaram para metade a popularidade de Chakwera desde 2020.

O mandato do actual Presidente foi ainda marcado pela pandemia da covid-19, pela passagem do ciclone Freddy em 2023, que provocou 1200 mortes, e por sucessivas secas e escândalos de corrupção envolvendo membros do Executivo.

Fonte: Lusa

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