Um grupo de investigadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, desenvolveu um método inovador para reciclar o európio, um metal essencial encontrado em lâmpadas fluorescentes descartadas. Esta técnica pode transformar a forma como lidamos com os resíduos electrónicos e ajudar a mitigar a dependência das importações deste metal, que é crucial para tecnologias modernas, como ecrãs e baterias. Tradicionalmente, a extracção do európio exigia mais de 100 etapas complexas, envolvendo substâncias tóxicas e alto consumo de energia. A equipa suíça, no entanto, conseguiu simplificar este processo com uma única reacção química selectiva. Esta nova abordagem não só é 50 vezes mais eficiente, como também elimina o uso de materiais perigosos e pode ser realizada localmente, sem a necessidade de importar minerais. Para se ter uma ideia, o pó de fósforo encontrado nas lâmpadas fluorescentes contém até 17 vezes mais elementos de terras raras do que os melhores minérios naturais, transformando o que antes era considerado resíduo num recurso valiosoa dvertisement Embora pouco conhecido do público em geral, o európio desempenha um papel crucial em várias aplicações tecnológicas, como televisões, lâmpadas e dispositivos móveis, além de ser um componente essencial em tecnologias de energia limpa. No entanto, a reciclagem desse metal ainda é mínima: na União Europeia, menos de 1% das terras raras são reutilizadas anualmente. Actualmente, a China controla 90% do mercado global, criando uma dependência que ameaça a estabilidade da cadeia de abastecimento. A recuperação do metal a partir de resíduos electrónicos não só aliviaria a pressão sobre a mineração tradicional, como também reduziria a dependência dos países exportadores, oferecendo uma alternativa mais sustentável ao reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e a geração de resíduos perigosos. O novo método, denominado EarthSnap, utiliza um pó à base de enxofre e tungsténio desenvolvido pela investigadora Marie Perrin. Este composto modifica a carga eléctrica do európio, permitindo que seja separado de outros componentes, o que torna possível obter um material sólido e facilmente filtrável. A tecnologia desenvolvida pela ETH Zurich não é apenas um avanço científico, mas também uma forma viável de repensar a gestão dos recursos do planeta O processo ocorre em condições simples, à temperatura ambiente ou com leve aquecimento, sem a necessidade de radiação ultravioleta ou reagentes agressivos. Além de eficiente, o método é sustentável, pois o reagente utilizado pode ser reutilizado várias vezes sem perder a sua eficácia, gerando apenas uma pequena quantidade de subproduto. Para transformar esta inovação numa solução prática, os investigadores Marie Perrin e Victor Mougel fundaram a startup REEcover, que visa desenvolver unidades compactas para o processamento de lâmpadas fluorescentes, enquanto planeiam expandir a tecnologia para outros resíduos, como ímanes de turbinas eólicas. A quantidade crescente de resíduos electrónicos globais — 62 milhões de toneladas em 2022, com uma projecção de 82 milhões até 2030 — contém metais valiosos que, se recuperados, poderiam financiar a sua própria eliminação e reduzir a exploração de novos depósitos. Na Suíça, os resíduos de lâmpadas fluorescentes poderiam satisfazer toda a procura nacional de európio, exemplificando como a reciclagem local pode transformar um passivo ambiental num activo económico. A tecnologia desenvolvida pela ETH Zurich não é apenas um avanço científico, mas também uma forma viável de repensar a gestão dos recursos do planeta. Com esta técnica, é possível reduzir a poluição, fortalecer a economia circular e estimular a reciclagem, ao mesmo tempo em que se abrem novas oportunidades económicas. Esta inovação sinaliza que é capaz de transformar o lixo electrónico em riqueza, promovendo um modelo de desenvolvimento mais sustentável. Fonte: Guia Região Dos Lagos
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