a d v e r t i s e m e n tUm novo relatório da GSMA Association – uma associação internacional que representa os interesses de mais de 750 operadoras de telefonia móvel em cerca de 220 países – destaca um paradoxo significativo na transformação digital da África Subsaariana.

Embora a região esteja a fazer progressos substanciais na expansão da infra-estrutura de banda larga móvel, a sua população enfrenta as barreiras mais severas do mundo para se conectar à internet, levando às taxas mais baixas de utilização da internet móvel a nível global.

O relatório anual da associação sobre o estado da conectividade à internet móvel em 2025 mostra que, embora 58% da população mundial (4,7 mil milhões de pessoas) seja agora assinante, uns impressionantes 3,1 mil milhões de pessoas vivem na área de cobertura de uma rede de banda larga móvel, mas continuam sem acesso a este recurso.

Esta “disparidade de utilização” é agora a crise central da inclusão digital, superando os 300 milhões de pessoas (4% da população global) que ainda vivem em áreas sem cobertura de rede.

Esta divisão acarreta um custo económico elevado. Colmatar a lacuna de utilização poderia desbloquear 3,5 mil milhões de dólares adicionais no Produto Interno Bruto (PIB) global até 2030. Para os países de baixo e médio rendimento (PRMB), colmatar a lacuna de género na utilização da internet móvel, por si só, acrescentaria mais 1,3 mil milhões de dólares às suas economias.

A crise da acessibilidade

De acordo com o relatório, a maior barreira que impede as pessoas de acederem à internet é o custo proibitivo de um telemóvel com acesso à mesma. Nos PRMB, um telemóvel básico custa, em média, 16% do rendimento mensal de uma pessoa.

Esta crise é mais grave na África Subsaariana. Para os 20% mais pobres da população da região, um dispositivo básico custa 87% do seu rendimento mensal. Este único factor mantém o mundo digital fora do alcance de milhões de pessoas. O documento identifica um ponto de viragem fundamental: um aparelho com um preço de 30 dólares poderia tornar os telemóveis acessíveis a até 1,6 mil milhões de pessoas em todo o mundo.

Mesmo quando o custo é superado, outros desafios permanecem, e isso reflecte-se na tecnologia que as pessoas utilizam: 60% dos assinantes de internet móvel na África Subsaariana ainda utilizam smartphones 3G mais antigos ou telemóveis básicos, limitando a sua capacidade de ter uma experiência de internet rica e de alta velocidade.

O relatório do GSMA aponta que 3,1 mil milhões de pessoas vivem na área de cobertura de uma rede de banda larga móvel, mas continuam sem acesso a este recurso

A falta de alfabetização e competências digitais é a próxima barreira significativa à adopção para aqueles que nunca utilizaram a internet.

No final do relatório, a associação fornece diversas recomendações para ajudar mais pessoas a usar a internet móvel:

Melhorar a acessibilidade: o custo dos telefones e dos planos de dados deve ser menor. Isso inclui a criação de novas formas de pagamento para as pessoas, como planos de pagamento.

Investir em habilidades digitais: as iniciativas devem concentrar-se em ensinar às pessoas as habilidades necessárias para usar a internet com segurança e confiança.

Construir uma internet mais segura: é importante criar sistemas que protejam os utilizadores de riscos online, como golpes e fraudes. Isso ajuda a construir a confiança necessária para que mais pessoas naveguem online.

Promover conteúdo relevante: o relatório recomenda apoiar a criação de sites, serviços e aplicativos em idiomas locais que sejam úteis para a vida diária das pessoas.

Fonte: Business Insider Africa

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