O Governo de Cabo Delgado apelou, esta semana, a uma relação mais estreita entre as comunidades locais e os empreendimentos de gás natural em desenvolvimento no distrito de Palma. A chamada de atenção foi feita pelo governador provincial, Valige Tauabo, durante a inauguração de uma estrada de 1,7 quilómetro, que liga Senga à comunidade de Quitunda, infra-estrutura construída pela TotalEnergies no âmbito das suas obrigações de responsabilidade social. Tauabo reconheceu o sentimento de insatisfação por parte de alguns residentes, que alegam benefícios ainda escassos para as populações afectadas. Ainda assim, sublinhou que os projectos em curso representam uma oportunidade decisiva para alavancar a economia local e nacional, e instou as comunidades a manterem-se abertas ao diálogo e ao envolvimento construtivo com os operadores. Referindo-se ao Mozambique LNG (liderado pela TotalEnergies), ao Coral Sul FLNG (da ENI) e ao Rovuma LNG (da ExxonMobil) — todos implantados em Palma —, o governador destacou o seu potencial transformador, não só para a província, mas para todo o País. “Estes investimentos ainda não começaram a produção de gás, mas já se fazem sentir nos projectos sociais que beneficiam directamente a população. É importante acolhê-los com abertura”, afirmou. Entre os exemplos apresentados, destacou-se o projecto de electrificação de Senga, que deverá beneficiar cerca de 5000 pessoas, com sete quilómetros de linha de média tensão e seis postos de transformação, garantindo acesso à rede pública de energia. Além disso, têm vindo a ser erguidas estradas internas, infra-estruturas desportivas e espaços de lazer para crianças. O governante lembrou que mais de 600 famílias foram reassentadas em Quitunda para viabilizar o maior projecto de gás natural liquefeito alguma vez desenvolvido em Moçambique, orçado em cerca de 1,2 bilião de meticais (20 mil milhões de dólares). Apesar das críticas de sectores da população que exigem mais retorno imediato, o Executivo considera que os compromissos assumidos pelas empresas envolvidas começam a traduzir-se em benefícios palpáveis. Tauabo frisou ainda que a paz e a cooperação são condições indispensáveis para que os projectos se consolidem e tragam prosperidade duradoura. “A continuidade do diálogo entre as comunidades e as empresas, com o envolvimento activo do Governo, é essencial para garantir que todos colham frutos deste processo”, concluiu. Texto: Felisberto Ruco
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