a d v e r t i s e m e n tO maior programa de resiliência climática de África está a procurar o sector privado para preencher a lacuna deixada pelas nações ocidentais, que estão a cortar a ajuda ao desenvolvimento e a renegar os compromissos internacionais de financiamento.
De acordo com um artigo publicado pela Bloomberg, nesta terça-feira, 9 de Setembro, mesmo com o esgotamento dos fluxos de financiamento, o Programa de Aceleração da Adaptação em África (AAAP) – liderado pelo Centro Global de Adaptação (GCA) e pelo Banco Africano de Desenvolvimento – duplicou a sua meta para os próximos cinco anos.
O objectivo é garantir que a resiliência climática seja levada em consideração nos projectos de desenvolvimento no valor de 50 mil milhões de dólares sobre os quais o programa prestará consultoria. Para isso, será necessário recorrer ao sector privado e a outras fontes de financiamento.
“Vimos nações industrializadas a recuar nos seus compromissos”, afirmou Macky Sall, presidente do GCA e ex-Presidente do Senegal, acrescentando: “Precisamos de alargar a base de financiamento.”
A iniciativa da AAAP, criada na conferência anual das Nações Unidas sobre o Clima (COP) em Glasgow, Escócia, em 2021, surge num momento em que o financiamento oficial está a esgotar-se.
A desaceleração, que quebra uma promessa das nações mais ricas do mundo, ocorre num momento em que África está a ser assolada por inundações, ciclones e secas cada vez mais frequentes, isto apesar da sua contribuição limitada para o financiamento global na forma de emissões de gases de efeito-estufa.
“O financiamento está a diminuir quando deveria duplicar até 2025, conforme prometido em Glasgow”, afirmou William Ruto, Presidente do Quénia, num evento da GCA na segunda Cimeira Africana sobre o Clima, realizada em Adis Abeba, Etiópia, na segunda-feira (8).
Ainda assim, o governante frisou que os países africanos precisarão de criar oportunidades de investimento. “Não estamos à espera, estamos a avançar, juntem-se a nós”, acrescentou Ruto.
Com a meta de 50 mil milhões a ficar muito aquém dos 500 mil milhões de dólares estimados, necessários para o financiamento da adaptação – cobrindo tudo, desde barragens de irrigação a pontes à prova de inundações -, a AAAP planeia ampliar significativamente o seu foco.
A iniciativa AAAP surge num momento em que o financiamento oficial para o clima está a esgotar-se
Enquanto as empresas privadas fornecem 38% do financiamento para adaptação na Ásia, o número é de apenas 6% em África. A AAAP planeia trabalhar para aumentar este número, colaborando com financiadores comerciais locais e internacionais em projectos. Ao mesmo tempo, continua a colaborar com financiadores ocidentais tradicionais, bem como a aproximar-se da China, Japão e países do Médio Oriente, de acordo com Macky Sall.
Entretanto, os Países Baixos e o Reino Unido afirmaram que não irão fornecer financiamento para a AAAP no próximo ano, com o programa a depender da Noruega, Dinamarca e Fundação Gates por enquanto, de acordo com Sall. “Esta é uma retirada perigosa. Prejudica a credibilidade e as parcerias”, apontou o líder.
Por enquanto, tal situação deixa o programa (que será discutido na conferência climática da Organização das Nações Unidas em Belém, no Brasil, no final deste ano) voltado para o sector privado.
“Temos um novo programa”, afirmou Patrick Verkooijen, director-executivo da GCA, que inclui o objectivo de “integrar o risco climático através dos bancos comerciais”, concluiu.
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