advertisemen tO sector mineiro do Zimbabué voltou a merecer atenção internacional durante a Conferência de Investimento de Londres, onde altos responsáveis do Governo e investidores globais se reuniram para discutir a ambiciosa agenda de reformas do país e as oportunidades que ela oferece ao capital estrangeiro. Mais do que um exercício de promoção, o evento constituiu uma plataforma estratégica para reposicionar o Zimbabué como destino credível para o investimento no sector dos recursos naturais, numa altura em que o mundo procura novos fornecedores de minerais críticos para a transição energética. Apresentando as reformas em pleno centro financeiro mundial, Harare procurou garantir que a sua mensagem chegasse aos principais actores do capital global – desde fundos de investimento e casas de private equity até financiadores de infra-estruturas e fundos ambientais. A conferência inscreve-se na estratégia nacional Visão 2030, que visa transformar o Zimbabué numa economia de rendimento médio-alto. O sucesso deste plano depende, em grande medida, da captação de investimento externo directo que permita explorar, com sustentabilidade, as vastas reservas de ouro, platina, lítio e níquel. Paralelamente, o Governo zimbabueano procurou restaurar a sua credibilidade junto dos mercados. A modernização da Lei das Minas e Minerais, a harmonização das normas ambientais, sociais e de governação (ESG) e a criação de um regime fiscal previsível foram elementos-chave da apresentação feita em Londres, com o objectivo de tranquilizar os investidores quanto ao compromisso com a transparência e a estabilidade regulatória. A importância do Zimbabué na cadeia global de fornecimento de minerais para tecnologias limpas foi também sublinhada. Face à crescente procura de metais essenciais para veículos eléctricos e energias renováveis, o país pretende afirmar-se como fornecedor fiável de minerais estratégicos. A agenda de reformas inclui ainda incentivos fiscais – como deduções para actividades de prospecção, reporte indefinido de prejuízos, redução do imposto sobre sociedades em concessões mineiras e isenções de IVA na importação de equipamento – bem como políticas de valorização local, exigindo o processamento interno dos recursos para assegurar maiores benefícios económicos. Outro ponto de destaque foi a necessidade de reforçar as infra-estruturas de transporte, energia e logística. O Executivo defendeu o envolvimento do sector privado, através de parcerias público-privadas, como forma de mitigar riscos e atrair investimento de longo prazo, posicionando o país como elo regional estratégico entre Moçambique, África do Sul e Zâmbia. A presença de uma numerosa diáspora zimbabueana no Reino Unido foi igualmente considerada um activo. Com redes de influência no sector financeiro e empresarial, estes cidadãos podem desempenhar um papel importante na transferência de conhecimento, investimento conjunto e assessoria estratégica. A Conferência de Londres não foi um evento isolado, mas parte integrante da estratégia de reengajamento internacional do Zimbabué. Ao colocar a sua agenda sob escrutínio em Londres, Harare sinalizou a sua intenção de alinhar-se com as normas internacionais e de se integrar na economia verde global. Fonte: Futher Africa
Painel