Nova via representa investimento de 2,6 milhões de dólares e reforça mobilidade, inclusão e esperança para centenas de famílias em reassentamento. Cerca de dois quilómetros de estrada pavimentada podem parecer pouco numa análise imediatista mas, para as comunidades de Quitunda, Senga, Patacua e Mangala, no distrito de Palma, esta via representa muito mais do que apenas uma nova forma mobilidade: é um símbolo de reconexão com a terra, de restituição do quotidiano e de esperança ancorada num processo de reassentamento complexo, mas em curso, e que dá frutos bem visíveis no terreno. No passado sábado, dia 6 de Setembro, o Diário Económico testemunhou a inauguração da estrada Quitunda–Senga, financiada pela TotalEnergies no âmbito da sua política de responsabilidade social corporativa, associada ao projecto Mozambique LNG que será implementado na Península de Afungi.A cerimónia contou com a presença do governador da província de Cabo Delgado, Valige Tauabo, e do director-geral da TotalEnergies Moçambique, Maxime Rabilloud. No seu discurso, o governador saudou a população e sublinhou que “ apesar de ainda não se ter iniciado a exploração do gás, que é a actividade principal do projecto Mozambique LNG, já se podem ver alguns sinais de esperança para o nosso futuro”. Segundo Tauabo, a nova infra-estrutura “vai trazer ganhos enormes para a vida das comunidades, na medida em que vai melhorar a transitabilidade e, consequentemente, a rapidez no escoamento de produtos, bens e serviços”, assinalou. Com 1,7 quilómetros de extensão e seis metros de largura, a nova estrada representa um investimento de 175 milhões de meticais (perto de 2,6 milhões de dólares). Durante a execução da obra, foram contratados 169 trabalhadores locais, incluindo 36 mulheres, provenientes de diferentes comunidades do distrito de Palma.Para Maxime Rabilloud, que falou num português fluente, “esta nova via representa mais do que isso, é uma conexão entre nós. Queremos e vamos continuar a trabalhar para gerar mais bem-estar e benefícios para o povo de Palma”, tendo ainda acrescentado: “Sinto-me um cidadão de Cabo Delgado”, complementou.No final da cerimónia, o governador percorreu parte da nova estrada a bordo de um dos populares tuk-tuks que asseguram o transporte entre Quitunda e Senga, num gesto simbólico de apoio ao transporte comunitário. O momento foi calorosamente aplaudido pelos presentes e espelhou a utilidade prática da nova infra-estrutura. Comunidade valoriza impacto directoO Diário Económico ouviu, no local, várias vozes da comunidade sobre o impacto da nova estrada. Saíde Ali Mussa, motorista de tuk-tuk, afirmou que, se “antes demorávamos quase uma hora até Palma-sede, por causa dos buracos. Agora fazemos em vinte minutos.”Halima Ussene, moderadora comunitária em Patacua, reforçou a ideia. “Antes, transportar uma grávida era um sufoco. Hoje, já conseguimos ir e voltar com rapidez e segurança”.Já Hawa Ali Jamal, da aldeia Mangala, partilhou que “a estrada trouxe paz. As pessoas sentem-se ligadas de novo às suas terras”.Electrificação e acesso à energia: próxima etapaDurante o evento, foi também lançada a primeira pedra do projecto de electrificação das aldeias de Senga e Patacua. De acordo com Silvio Romeu, gestor de projectos da Electricidade de Moçambique (EDM), a iniciativa prevê a instalação de sete quilómetros de linha de média tensão, 12 quilómetros de linha de baixa tensão e seis postos de transformação. “Numa primeira fase, está prevista a ligação de 1050 famílias”, explicou, acrescentando que o projecto terá um prazo de execução de 12 meses e representa um investimento de 45 milhões de meticais (692 mil dólares).Quitunda: reassentamento com planeamento integradoNo âmbito do projecto Mozambique LNG, a TotalEnergies já construiu 657 novas habitações e um conjunto completo de infra-estruturas públicas na vila de Quitunda, destinadas aos agregados familiares deslocados pela implementação do projecto na península de Afungi. Até à data, 643 agregados familiares já receberam as suas casas, após um processo de consulta com as comunidades, as autoridades e outras partes interessadas, em conformidade com a recomendação do relatório de Jean-Christophe Rufin, que desaconselhava reassentar famílias fora do perímetro industrial vedado.A TotalEnergies manteve o plano original, optando por concentrar os esforços de reassentamento em Quitunda, tendo como prioridade a integração social e o restabelecimento da qualidade de vida. De forma complementar, estão a ser implementadas diversas iniciativas de reforço da qualidade de vida e da autonomia económica dos reassentados:● Instalação de painéis solares em todas as habitações da vila de Quitunda; ● Abertura de novas estradas para facilitar o acesso entre zonas de pesca, agricultura e mercados; ● Distribuição de meios de mobilidade autónoma para uso comunitário; ● Programas agrícolas e pecuários, incluindo distribuição de sementes, fornecimento de ferramentas, assistência técnica, reposição de gado e melhoria pós-colheita; ● Apoio às actividades piscatórias, com entrega de embarcações e equipamentos de pesca, bem como formação e assistência pós-captura; ● Promoção do emprego local, desenvolvimento de competências e incentivo ao empreendedorismo, com vista à diversificação das fontes de rendimento. Consciente do tempo necessário para que indivíduos, famílias e comunidades se adaptem às novas condições, a TotalEnergies assegura o seu compromisso em “acompanhar activamente” todo o processo de transição. Texto: Felisberto Ruco
Painel