Investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona, Espanha, descobriram que o gelo comum pode produzir electricidade quando deformado irregularmente, ao ser dobrado, esticado ou torcido. A investigação, liderada pelo professor Xin Wen, revela que o material gera energia através de dois mecanismos distintos: flexoelectricidade e ferroelectricidade. O estudo mostra que, sob deformação, o gelo comporta-se como um material flexoeléctrico, fenómeno relacionado com o efeito piezoeléctrico, mas sem a necessidade de simetrias cristalinas específicas. “Medimos a flexoelectricidade do gelo e descobrimos que é comparável à de electrocerâmicas de referência, como TiO₂ e SrTiO₃”, destacou a equipa. Além disso, os cientistas identificaram uma camada ferroeléctrica na superfície do gelo a temperaturas abaixo de -113 °C, capaz de reverter a sua polarização quando submetida a um campo eléctrico externo — um comportamento semelhante ao dos ímanes. Segundo o site Inovação Tecnológica, a descoberta coloca o gelo em pé de igualdade com materiais de ponta usados em sensores e capacitores e pode abrir caminho para a criação de geradores eléctricos em ambientes congelados, como os pólos da Terra, a Lua ou Marte. Mas os impactos vão além da tecnologia. A equipa sugere que a flexoelectricidade pode explicar a electrificação das nuvens durante tempestades, oferecendo uma resposta a um mistério antigo: a origem dos relâmpagos. Até agora, não se compreendia como as partículas de gelo se tornavam electricamente carregadas apenas por meio de colisões. A nova hipótese indica que deformações irregulares entre cristais de gelo poderiam gerar as cargas necessárias para a formação de relâmpagos.
Painel