A Porsche vai deixar de integrar o principal índice acionista alemão, o DAX, após uma queda acentuada no valor da empresa em bolsa. As ações da fabricante automóvel têm sido penalizadas sobretudo pelas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e pela desaceleração da procura em mercados estratégicos.


O grupo Stoxx anunciou em comunicado que a saída será formalizada a 22 de setembro de 2025, no âmbito de uma revisão periódica do índice. A fabricante de carros de luxo vai ser substituída pela plataforma digital Scout24 e vai passar a integrar o MDAX, índice destinado a empresas de média capitalização.


A empresa entrou no DAX há apenas três anos, em setembro de 2022, logo após a sua oferta pública inicial. Porém, desde então, a evolução das ações tem sido marcada por perdas expressivas, superiores a um terço do valor nos últimos 12 meses. Esta quinta-feira os títulos seguem a desvalorizar 0,9% para 44,14 euros cada.


Segundo a Reuters, a Porsche tem vindo a rever em baixa as previsões financeiras, apontando como principais fatores negativos as tarifas impostas por Washington sobre automóveis europeus, a procura mais fraca na China e uma transição para veículos elétricos mais lenta do que o esperado.


O impacto das tarifas norte-americanas tem sido particularmente pesado para os fabricantes de automóveis premium alemães, como a Porsche, que dependem fortemente do mercado dos Estados Unidos para os seus modelos de maior margem. De acordo com a Bloomberg, o aumento de custos reduziu a competitividade dos veículos da marca no segmento de luxo, numa altura em que concorrentes chineses e norte-americanos têm ampliado a presença no mercado.


O CEO da Porsche, Oliver Blume, procurou desdramatizar a saída do índice, afirmando em entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung que o afastamento do DAX “se deve sobretudo a fatores técnicos” e assegurando que o objetivo é regressar “o mais depressa possível”. Sublinhou que a companhia mantém uma posição financeira sólida e que está focada em acelerar a adaptação ao mercado de veículos elétricos, considerada essencial para o futuro da marca.


A CNBC recorda ainda que a Porsche tem apostado em modelos como o Taycan, o seu primeiro elétrico de grande escala, mas enfrenta desafios num setor em que a procura global tem abrandado e onde empresas rivais, como a Tesla ou a BYD, têm mostrado maior flexibilidade de preços. A pressão para conciliar os custos elevados da eletrificação com a manutenção de margens típicas do segmento premium é um dos principais dilemas da estratégia atual.


A despromoção da Porsche também reflete a importância crescente de critérios como o “free float” (o volume de ações disponíveis no mercado) para a composição do DAX. De acordo com a Reuters, o facto de uma parte significativa das ações da Porsche permanecer sob controlo da Volkswagen limita a liquidez necessária para assegurar a permanência no índice, mesmo que a empresa mantenha uma dimensão considerável dentro do setor automóvel europeu.


Apesar do revés, os analistas consideram que a saída do DAX não altera substancialmente a posição da Porsche no setor, mas tem um peso simbólico significativo, uma vez que o índice é visto como uma vitrine das maiores empresas alemãs cotadas em bolsa. Segundo a Bloomberg, a transição para o MDAX poderá ainda permitir maior margem de manobra, já que os critérios de permanência são menos exigentes, embora a marca continue a enfrentar os mesmos desafios globais que têm pressionado os fabricantes de automóveis de luxo.

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