advertisemen tO sucesso económico de Singapura tem assentado há muito no seu papel como centro comercial global, mas o seu envolvimento com África tem sido historicamente limitado. Esta dinâmica está a começar a mudar. De acordo com a Enterprise Singapore – agência governamental dedicada a apoiar o crescimento e a internacionalização das empresas de Singapura –, o comércio de bens entre as duas regiões atingiu 12,4 mil milhões de dólares em 2023, com mais de 100 empresas singapurenses a operar actualmente nos mercados africanos. Cada vez mais, os analistas sugerem que Singapura vê África como uma fronteira central do crescimento económico global. De Kigali ao continenteAs primeiras iniciativas internacionais de Singapura concentraram-se principalmente na Ásia e no Médio Oriente. Um ponto de viragem ocorreu em 2008, quando a Enterprise Singapore trabalhou com o Ruanda para desenvolver o plano directo para a sua capital Kigali. Isto marcou o início de uma estratégia de envolvimento africano mais ampla, que agora abrange cerca de 20 países. Actualmente, grandes empresas com sede em Singapura, como Olam International, Tolaram Group e Winning International Group, estão a investir em agro-negócios, logística e infra-estruturas. Pesquisas confirmam que África ainda atrai apenas 3,5% do investimento estrangeiro directo global, mas as empresas de Singapura estão a assumir posições de longo prazo em sectores como portos, cidades inteligentes e infra-estruturas digitais. A troca não é unilateral. As empresas africanas também estão a construir uma presença em Singapura. Empresas como o TymeBank e a Sasol da África do Sul e a Sonangol de Angola estabeleceram lá as suas sedes asiáticas, atraídas pelo ecossistema financeiro e pela conectividade de Singapura. Em 2024, o Afreximbank assinou uma parceria com a Enterprise Singapore para facilitar os canais de financiamento para as empresas de Singapura que investem no continente africano, reflectindo os esforços para resolver as restrições estruturais de financiamento. Lições , mas sem modelosA trajectória de desenvolvimento de Singapura — industrialização rápida, forte capacidade estatal e integração no comércio global — há muito inspira as decisões políticas em África. O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, citou o modelo de Singapura na sua visão para a transformação nacional. No entanto, os académicos alertam contra comparações directas, enfatizando que os países africanos devem traçar caminhos diversos e específicos para cada contexto, em vez de adoptarem narrativas únicas. Obstáculos aos laços mais profundosA conectividade continua a ser um desafio. Em 2025, apenas um voo directo ligava Singapura e África — via Ethiopian Airlines para Adis Abeba — e o país asiático mantinha apenas duas missões diplomáticas no continente africano. A percepção de risco também persiste nas salas de reuniões de Singapura, apesar da crescente classe média africana e da rápida urbanização. Para desbloquear o potencial da parceria, os especialistas argumentam que a conectividade física e institucional deve ser expandida. O envolvimento diplomático, as ligações de transporte e os instrumentos financeiros serão fundamentais para manter o impulso. Geopolítica e multipolaridadeA evolução das relações insere-se num movimento mais amplo de cooperação Sul-Sul. A integração de África através da Zona de Comércio Livre Continental Africana e o alcance de Singapura reflectem uma ordem multipolar que privilegia alianças diversificadas em detrimento das dependências tradicionais. O Fórum Empresarial África-Singapura, realizado anualmente, tornou-se uma plataforma fundamental para colmatar lacunas de conhecimento, construir redes e promover parcerias sustentáveis. Rumo a parcerias sustentáveisEmbora os volumes comerciais continuem modestos em comparação com os laços de África com a China, a Índia ou a União Europeia, Singapura traz pontos fortes específicos em finanças, inovação digital e logística. Para amadurecer, no entanto, a relação deve basear-se na reciprocidade — apoiando os diversos contextos de desenvolvimento de África e evitando tendências extractivistas. À medida que os Estados africanos diversificam as suas parcerias, o papel de Singapura como ponte para a Ásia apresenta tantas oportunidades como responsabilidades. Se forem perseguidas estrategicamente, as relações crescentes entre África e Singapura poderão tornar-se um modelo de envolvimento Sul-Sul moderno, ancorado no pragmatismo, no respeito mútuo e numa visão de longo prazo. Fonte: Further Africa

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