O Absa Group destacou o papel estratégico de Moçambique no futuro energético do continente africano, sublinhando a importância das suas reservas de grafite para a transição global rumo a fontes renováveis de energia.

Shirley Webber, directora-executiva de Recursos e Energia do Absa CIB e membro do grupo de trabalho “Energy Mix and Just Transition do B20”, explicou que minerais críticos como a grafite, o cobre, o lítio, o níquel e o cobalto são indispensáveis para a produção de tecnologias limpas. No caso de Moçambique, a grafite é considerada essencial para o fabrico de baterias de veículos eléctricos e sistemas de armazenamento de energia.

Segundo a responsável, “a África Subsaariana possui cerca de 30% das reservas mundiais conhecidas de minerais críticos”, o que coloca o continente numa posição privilegiada para beneficiar da transição energética global, desde que aposte na beneficiação e não apenas na exportação em bruto.

O relatório refere que, apesar de África ser a terceira maior região produtora de cobre a nível mundial, continua dependente da exportação de matérias-primas devido à ausência de infra-estruturas para fundição e refinação.

No caso da grafite moçambicano, a criação de indústrias locais de transformação poderia aumentar significativamente o valor acrescentado para a economia nacional, criando emprego, reduzindo dependências externas e reforçando a segurança energética regional.

Webber salientou ainda que o continente deve apostar em cadeias de valor regionais, evitando que cada país avance de forma isolada. “A cooperação entre Estados africanos é essencial para desenvolver infra-estruturas industriais sustentáveis e garantir competitividade no mercado internacional”, frisou.

Para além das vantagens económicas e da criação de postos de trabalho, a beneficiação de minerais críticos em território africano contribuiria para a redução de emissões de carbono, ao evitar o transporte de matérias-primas para refinarias em países distantes.

O Absa Group considera que Moçambique, devido à grafite, poderá assumir um papel central neste processo, se alinhar políticas nacionais com uma estratégia regional de aproveitamento de recursos minerais estratégicos.

Fonte: Engineering News

Post a comment

Your email address will not be published.

Related Posts