As autoridades em Manica, na região Centro de Moçambique, admitiram a incapacidade de travar a poluição dos rios causada pela mineração artesanal e industrial, acrescentando que a situação requer muitos cuidados e especial atenção por parte do Governo. “Há aspectos que não pertencem ao nosso nível, que ultrapassam a província e o distrito. A solução para a poluição requer muitos cuidados e medidas estruturantes”, esclareceu Lourenço Lindonde, secretário de Estado na província de Manica, numa publicação da Lusa. Recentemente, a Inspecção Nacional de Minas fez saber que 11 empresas foram penalizadas por crimes ambientais em Manica. “Na semana passada, enquanto realizávamos a reunião nacional de aprimoramento da estratégia para a mitigação dos problemas ambientais, aproveitámos para efectuar visitas de campo, onde constatámos que ainda existem empresas que violam a lei”, esclareceu Grácio Cune, inspector nacional de Minas. De acordo com o responsável, cada mineradora foi penalizada de acordo com o tipo de infracção cometida, sendo que foram suspensas as actividades de mineração ao longo da bacia do Révuè. “Algumas das empresas já tinham sido avisadas para observarem todas as regras ambientais durante as operações de exploração mineira.” “Durante as visitas, verificámos ainda que a actividade mineira continua a afectar bastante as águas da albufeira de Chicamba, pois continuam turvas e chegam até à barragem quase lamacenta”, acrescentou. No ano passado, o presidente do Conselho Empresarial de Manica, Alcides Cintura, desafiou as academias a encontrarem soluções que contribuam para minimizar os problemas ambientais causados pela mineração. “O problema da mineração é estruturante e não cabe só ao Governo e ao sector privado, mas também às academias. Estas podem desenvolver soluções para apresentar ao Executivo. Se deixarmos a nossa província com este problema provocado pelo garimpo mal praticado, os desastres ambientais irão agravar-se”, alertou Alcides Cintura.
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