O Governo aprovou esta terça-feira (2) a aquisição pela Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) da totalidade das acções representativas de 70% do capital social da ENH-Kogas, até aqui detidas pela Kogas Moçambique, reforçando assim a posição estatal na distribuidora de gás canalizado da capital.
A decisão foi tomada na reunião ordinária do Conselho de Ministros, em Maputo, tendo como objectivo “assegurar a massificação do consumo de gás na cidade de Maputo e no distrito de Marracuene”, segundo um comunicado oficial.
A ENH-Kogas, criada em 2013 através de uma parceria entre a petrolífera moçambicana e a sul-coreana Kogas, é responsável pela rede de distribuição de gás natural canalizado em Maputo e arredores. Desde Maio de 2014, a empresa fornece gás natural canalizado produzido em Moçambique à capital e ao distrito vizinho.
De acordo com o último relatório e contas, referente ao exercício terminado a 30 de Junho de 2024, a ENH-Kogas registou lucros de 423,3 milhões de meticais (6,6 milhões de dólares), confirmando a viabilidade económica do projecto.
Esta aposta do Governo na expansão do acesso ao gás doméstico acompanha uma tendência mais ampla de aproveitamento estratégico dos recursos energéticos do País.
Na segunda-feira (1), o director-geral da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, anunciou o compromisso da multinacional francesa em assegurar que parte do gás extraído no âmbito do projecto Mozambique LNG seja destinado ao mercado interno, permitindo que “o gás de Moçambique beneficie directamente os moçambicanos e não apenas os mercados internacionais.”
Em Dezembro de 2024, ainda no final do seu mandato, o então Presidente Filipe Nyusi havia anunciado o reforço da oferta de gás de cozinha em 60 mil toneladas no trimestre seguinte, medida que visava cobrir cerca de 60% das necessidades nacionais. O anúncio foi acompanhado pela revelação de que estava em construção uma fábrica em Inhassoro, província de Inhambane, com previsão de arranque em 2025.
Fonte: Lusa
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