Daniel Chapo presidiu à sessão de abertura da 3.ª Conferência da Biodiversidade Marinha (CBM), um evento considerado de referência nacional para a conservação dos ecossistemas marinhos. Com início nesta quarta-feira, 3 de Setembro, na cidade da Beira, província de Sofala, o encontro decorrerá durante dois dias (4 e 5), reunindo representantes do Governo, comunidade científica, sociedade civil, sector privado, parceiros de cooperação e jovens. A conferência oferece um espaço de debate e partilha de soluções para a preservação dos ecossistemas marinhos e costeiros.
Na sua intervenção, o chefe do Estado sublinhou a condição de Moçambique enquanto nação oceânica, apelando à gestão sustentável dos recursos marinhos e à valorização do capital natural como pilares da economia azul. “Estamos aqui para reafirmar o envolvimento do nosso Governo na protecção e preservação da biodiversidade marinha, promovendo soluções que gerem emprego, sobretudo para a juventude, e que reforcem a resiliência das nossas comunidades costeiras.”
Daniel Chapo destacou ainda a escolha da Beira, em particular do bairro do Chiveve, como local simbólico para a realização do evento, frisando que a área representa um exemplo prático de soluções baseadas na natureza, capazes de reduzir riscos de cheias, criar espaços verdes e reforçar a ligação das famílias ao seu território. “O Chiveve é a prova de que soluções naturais bem concebidas podem salvar vidas e dinamizar a economia local”, acrescentou.
Compromissos internacionais e políticas nacionais
O Presidente da República reafirmou os compromissos assumidos por Moçambique ao abrigo da Convenção sobre a Diversidade Biológica, incluindo a meta global de proteger 30% da terra e do mar até 2030. Referiu também a necessidade de articular políticas nacionais, como a Lei do Mar e o Plano de Ordenamento do Espaço Marítimo, com estratégias internacionais de conservação, de modo a atrair investimento responsável do sector privado, parceiros de desenvolvimento e filantropia internacional.
“Como Governo, entendemos que a coerência entre ciência, políticas públicas e participação comunitária é essencial para transformar a visão estratégica em resultados concretos que beneficiem o nosso povo”, afirmou.
Por sua vez, o presidente do conselho de administração da Fundação para a Conservação da Biodiversidade (BIOFUND), Carlos dos Santos, destacou a centralidade da biodiversidade marinha para o desenvolvimento sustentável do País.
Na sua intervenção, Carlos dos Santos lembrou que a CBM nasceu como uma plataforma destinada a unir ciência, políticas públicas e sociedade em torno de soluções para a conservação, e sublinhou que, ao longo das edições anteriores, o encontro foi capaz de mobilizar centenas de participantes, criar redes de conhecimento e inspirar acções concretas de conservação costeira e marinha.
“Entramos nesta terceira edição com a convicção de que a ciência deve deixar de ser apenas conhecimento publicado, precisando de transformar-se em prática no terreno, em políticas públicas eficazes e em meios de subsistência sustentáveis para as comunidades.”
Carlos dos Santos defendeu a importância das soluções baseadas na natureza, pois podem salvar vidas
O dirigente destacou também o papel das soluções baseadas na natureza, recordando que estas podem salvar vidas em contextos de vulnerabilidade climática e gerar benefícios económicos. Destacou ainda que a BIOFUND, em parceria com várias organizações internacionais, tem apoiado o fortalecimento de áreas de conservação marinhas e costeiras, promovido fundos de apoio a pescadores, restaurado ecossistemas críticos como mangais e recifes e dinamizado a educação ambiental em comunidades locais.
“A conferência é mais do que um espaço de debate: é um ponto de viragem para reforçarmos compromissos, garantir financiamento de longo prazo e criar previsibilidade na gestão do nosso património natural. O nosso apelo é claro: que as conclusões aqui saídas não fiquem apenas no papel, mas que sejam transformadas em resultados palpáveis, vividos pelas comunidades que dependem do mar”, concluiu
“Entramos nesta terceira edição com a convicção de que a ciência deve deixar de ser apenas conhecimento publicado e precisa de transformar-se em prática no terreno, em políticas públicas eficazes e em meios de subsistência sustentáveis para as comunidades“
Apoio da comunidade internacional
Por sua vez, a alta comissária do Reino Unido no País, Helen Lewis, destacou o papel central dos oceanos na sustentabilidade global, citando o naturalista britânico David Attenborough: “Se salvarmos o mar, salvamos os nossos mundos.”
A diplomata frisou que os desafios de conservação marinha exigem um esforço colectivo, em que parceiros internacionais devem “escutar, ligar e amplificar” as iniciativas desenvolvidas em países costeiros como Moçambique, salientando a conferência como uma oportunidade para reforçar “laços de cooperação multilateral, promover investimentos sustentáveis e valorizar o conhecimento científico e local.”
A conferência, organizada pela BIOFUND e pela Wildlife Conservation Society, no âmbito do projecto Futuro Azul financiado pelo Blue Ocean Fund, junta financiadores multilaterais, sector privado e representantes da academia. Segundo os organizadores, a terceira edição mantém um formato alargado, com conferência técnica, feira expositiva e debates científicos, centrando-se em quatro eixos: adaptação baseada nos ecossistemas, gestão de áreas de conservação marinhas, protecção da biodiversidade e educação ambiental.
Além das sessões plenárias, a CBM inclui uma exposição de sete dias aberta ao público, com demonstrações interactivas, partilha de boas práticas e histórias de sucesso, visando aproximar a conservação marinha das comunidades e estimular a consciência ambiental entre os cidadãos.
Texto: Nário Sixpene
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