Uma missão empresarial francesa do sector da energia iniciou esta semana uma visita a Angola para avaliar oportunidades de negócio. A deslocação acontece num contexto de turbulência económica global, mas num momento em que o investimento francês no país já ultrapassa os 18 mil milhões de dólares, informou a Lusa. “Temos uma missão empresarial com dez empresas. Não queremos apenas visitar e estabelecer contacto, mas também uma abordagem para nos instalarmos aqui e desenvolver negócios”, afirmou a embaixadora da França em Angola, Sophie Aubert. A diplomata considerou a deslocação estratégica. “Para nós é uma missão energética muito importante”, disse, adiantando que a comitiva integra essencialmente empresas ligadas ao sector petrolífero, considerado central para a cooperação entre os dois países. A missão é organizada pela Business France, agência pública francesa responsável pela promoção das empresas no estrangeiro, e pela EVOLEN, associação que reúne empresas francesas do sector da energia. A visita decorre até sexta-feira, 5 de Setembro, e coincide com a Conferência Internacional Angola Oil&Gas 2025, que arranca esta quarta-feira, em Luanda. O objectivo principal é reforçar a presença francesa no sector energético angolano, com especial atenção à inovação e à descarbonização. França procura assim consolidar a cooperação com Angola, apostando não só no petróleo e gás, mas também em novas soluções energéticas mais sustentáveis. De acordo com Sophie Aubert, operam actualmente em Angola entre 110 e 120 empresas francesas. Destas, 65 são filiais directas de grupos franceses, com um volume de negócios anual de cerca de 6 mil milhões de euros. No total, empregam perto de 30 mil pessoas, sendo o terceiro maior empregador privado no país. A presença francesa é liderada pela TotalEnergies, a maior petrolífera a operar em Angola. A empresa participa em vários blocos de exploração offshore e em projectos estratégicos de gás, sendo responsável por uma parte significativa do investimento directo francês no país. Questionada sobre os desafios do ambiente de negócios em Angola, a embaixadora destacou a importância da “previsibilidade” e de “processos rápidos” para atrair mais capital estrangeiro. Acrescentou ainda que a missão ilustra o estreitamento das relações entre França e Angola, reforçadas por visitas de Estado recíprocas e pela adesão de Angola à Francofonia, em 2024. “A vontade da França é ter relações de amizade com todos os países de África, qualquer que seja o seu idioma”, sublinhou Sophie Aubert, destacando a “vontade mútua de trabalhar juntos”. Para a embaixadora, “é isso que está a acontecer com Angola.”

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