A Confederação das Associações Económicas (CTA) fez saber nesta segunda-feira, 1 de Setembro, que foram alcançados resultados positivos nas negociações das propostas para os aumentos dos salários, acrescentando que estão a decorrer de forma “calma e flexível”. “Havendo necessidade de manter os postos de trabalho, foram alcançados os resultados possíveis, reconhecendo as dificuldades que existem. Naturalmente, a vida está difícil, não só para o cidadão comum, mas também para o próprio empregador”, explicou o representante da entidade, Victor Miguel. Intervindo após mais uma sessão da Comissão Consultiva do Trabalho para a apresentação e validação dos memorandos de entendimento sobre o processo de negociações dos salários mínimos por sectores de actividade, Victor Miguel avançou que os consensos alcançados reflectem o estado actual da economia do País, alertando que o cumprimento dos salários mínimos a aprovar é obrigatório. De acordo com o responsável, o acordo obtido no encontro vai ser submetido a Conselho de Ministros, com a Confederação Nacional dos Sindicatos Livres de Moçambique (Consilmo) a considerar as propostas como “insatisfatórias.” O último aumento do salário mínimo no País entrou em vigor a 1 de Abril de 2024 e variou entre 3% e 10,53%, conforme os sectores. As actualizações abrangeram oito áreas distintas da economia, com os novos valores a serem propostos pela Comissão Consultiva do Trabalho e aprovados posteriormente pelo Conselho de Ministros. Entre os exemplos, o sector da pesca passou a ter um salário mínimo de 4941 meticais (77 dólares), enquanto na agricultura, pecuária, caça e silvicultura subiu para 6338 meticais (cerca de 99 dólares). No sector industrial e semi-industrial, o novo valor foi fixado em 6531 meticais (102 dólares). No caso da indústria extractiva de grandes empresas, o salário mínimo subiu para 14 183 meticais (222 dólares), enquanto nas microfinanças foi ajustado para 15 741 meticais (246 dólares). Dados da CTA indicam que 908 empresas foram vandalizadas durante os protestos que se seguiram às eleições de Outubro de 2024, sendo que 60% ainda não têm previsão para retomar as suas operações. A destruição atingiu não apenas infra-estruturas comerciais, como causou também prejuízos em bens públicos e privados, afectando o abastecimento de bens e serviços essenciais em várias zonas do País.
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