advertisemen tAs Pequenas e Médias Empresas (PME) são a espinha dorsal da economia africana, gerando mais de 80% dos empregos no continente. Contudo, ao longo das décadas, as PME enfrentaram barreiras estruturais em áreas como financiamento, infra-estruturas e inclusão digital. No entanto, esta realidade está a mudar. Actualmente, uma nova geração de projectos inovadores centrados nas PME está a abrir novas oportunidades para os empresários africanos, ao mesmo tempo que redefine a maneira como o continente impulsiona o seu desenvolvimento. Desde programas de financiamento de refugiados no Ruanda a empreendimentos solares de elevado desempenho no Gana, estas iniciativas estão a criar resiliência a partir do zero – uma pequena empresa de cada vez. Veja, abaixo, os cinco projectos de PME que estão a fazer a diferença em África em 2025. Inkomoko (Ruanda): Financiando refugiados, empoderando mulheres A Inkomoko, uma empresa social com sede no Ruanda, está a reinventar o microfinanciamento. Através de uma combinação de formação empresarial, mentoria e empréstimos acessíveis, a Inkomoko apoia empreendedores refugiados e PME rurais. Até ao momento, já apoiou mais de 100 mil empresas e desembolsou 24 milhões de dólares em financiamento, com uma notável taxa de reembolso de 96%. O que torna a Inkomoko única é o seu modelo inclusivo: mais de 60% dos seus clientes são mulheres, muitas das quais operam em contextos de deslocamento e vulnerabilidade. A iniciativa prova que a dignidade económica e o empoderamento podem florescer mesmo em cenários humanitários. 4G-Capital (Quénia): Empréstimos com tecnologia táctil em grande escala A 4G-Capital é uma pioneira em tecnologia financeira, fornecendo capital de giro sem garantia a microempresários em toda a África Oriental. O modelo “tecnologia táctil” da empresa combina pontuação de crédito baseada em Inteligência Artificial (IA) com apoio humano no terreno, garantindo eficiência e contacto próximo com os clientes. Com taxas de reembolso de 94% e grande alcance feminino, a 4G-Capital é amplamente reconhecida como uma referência em empréstimos digitais responsáveis. Este ano, a empresa foi premiada como melhor fintech nos African Banker Awards, destacando a sua liderança no sector. PEG Africa (Gana): Alimentar as PME com energia solar paga Para as PME em zonas fora da rede eléctrica, o acesso à energia não é apenas um desafio – é uma questão fundamental. A PEG Africa, com sede no Gana, oferece sistemas solares domésticos pagos conforme o uso (PAYG), permitindo que pequenas lojas de retalho, agro-processadores e micro-fabricantes utilizem energia limpa e acessível. A empresa, reconhecida pela Ashden e pela B Corp pela sua abordagem centrada no cliente, está a permitir que milhares de empresas funcionem durante mais horas, armazenem mercadorias de forma fiável e reduzam a dependência do dispendioso gasóleo. O modelo da PEG Africa mostra que o financiamento solar é também uma forma de financiar as PME. Afriwork (Etiópia): Contratação digital para a economia informal A Afriwork, na Etiópia, está a construir uma ponte digital entre freelancers africanos e as PME. A plataforma, que também funciona como software como serviço (SaaS), criou um mercado de contratação baseado no Telegram, que é intuitivo e acessível. Com mais de 300 mil candidatos a emprego registados e 50 mil PME servidas, a Afriwork está a transformar a forma como os jovens profissionais e comerciantes encontram trabalho. Num continente com altos índices de desemprego juvenil, plataformas como a Afriwork são agora motores essenciais de emprego. PME sul-africanas aumentam a digitalização com a Mastercard De acordo com o Índice de Confiança das PME da Mastercard (empresa global de tecnologia de pagamentos), 90% das PME sul-africanas adoptaram sistemas de pagamento digital em 2025, uma taxa recorde para o continente. Esta mudança está a permitir uma rotação mais rápida dos clientes, o acesso a históricos de crédito e uma maior integração nos mercados formais. Curiosamente, 58% das PME inquiridas indicaram planos de expansão, e um terço está à procura activamente de financiamento, o que sugere que a digitalização está directamente ligada ao optimismo empresarial e ao crescimento. Porque são estes projectos importantes? Estas iniciativas reflectem uma nova vaga de capacitação para as PME em África. Combinando tecnologia, conhecimento local e modelos de negócio escaláveis, estão a criar oportunidades onde mais são necessárias. É importante destacar que esses projectos não seguem uma fórmula única; eles são baseados em contextos locais e têm uma abordagem inclusiva por design. Quer seja uma mulher em Kigali a expandir o seu negócio de alfaiataria, uma loja rural alimentada a energia solar em Tamale ou um jovem programador em Adis Abeba a encontrar clientes através do Telegram, estas histórias não são apenas exemplos isolados – são o futuro das empresas africanas. À medida que Governos, investidores e instituições multilaterais continuam a dar prioridade ao desenvolvimento das PME, projectos como a Inkomoko, a 4G-Capital, a PEG Africa, a Afriwork e a digitalização das PME sul-africanas pela Mastercard oferecem modelos que podem ser replicados e que têm potencial para atrair investimentos. Os projectos de PME em África já não estão focados apenas em sobrevivência, mas em inovação, impacto e crescimento inclusivo. O grande desafio agora é alcançar uma escala ainda maior. Fonte: Further Africa
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